Autor Gustavo Binenebojm analisa as raízes do sentimento de hostilidade aos judeus e propõe um letramento anti-antissemita
A sessão de autógrafos no Rio de Janeiro ocorreu no dia 24 de novembro (segunda-feira), na Livraria Travessa do Shopping Leblon.

O antissemitismo talvez seja o ódio mais antigo da humanidade. Ao longo da história, os judeus foram acusados de serem capitalistas vorazes, comunistas perigosos, fanáticos religiosos, ateus enrustidos, isolacionistas sectários ou até espiões infiltrados. Se na Antiguidade o problema era sua religião, depois a questão passou a ser a sua raça. Atualmente, o principal alvo de ataques é seu estado Nacional: Israel. Quais as raízes dessa “patologia social” e como combatê-la? Essas são as perguntas que Gustavo Binenbojm procura responder em Antissemitismo estrutural, que chega às livrarias em dezembro pelo selo História Real, da Intrínseca.
“Falar-se em antissemitismo estrutural implica puxar o fio de uma meada tão antiga quanto atual para se deslindar a tessitura social que, no curso da História, construiu mitos, preconceitos e dinâmicas discriminatórias, institucionalizadas ou informais. De todos os modos de discriminação, talvez o do antissemitismo seja o mais sutil e insidioso, pois os judeus, dada a sua diversidade étnica, podem tornar-se invisíveis. De um lado, gozam de um benefício não extensível aos negros e às mulheres, por exemplo. Contudo, de outro lado, experimentam cotidianamente um convite silencioso à anulação da própria identidade”, alerta.
Do Egito antigo à cultura helênica, do Império Romano pagão ao Cristianismo, chegando até os dias de hoje, Binenbojm revisita o percurso histórico que construiu o sentimento de hostilidade em relação aos judeus e investiga as possíveis razões da resiliência do antissemitismo ao longo do tempo, assim como seu ressurgimento atual. Além de apresentar esse panorama histórico, o autor procura traçar a linha divisória entre a liberdade de expressão e o discurso antissemita, enquadrado no Brasil como crime de racismo.

“Embora exista um antissemitismo estrutural, não creio em determinismo histórico. A liberdade consiste, fundamentalmente, na nossa capacidade de responder de forma diferente aos condicionamentos sociais e aos estímulos da natureza. A educação anti-antissemita e a cultura do respeito à diversidade almejam formar pessoas capazes de entender o problema em sua complexidade estrutural, sem se render a ele”, afirma o autor.
Gustavo Binenbojm propõe paralelos entre os conceitos de “racismo estrutural” e “antissemitismo estrutural”, apontando que ambos fazem parte do nosso inconsciente coletivo. O autor defende que não basta não ser antissemita: é essencial investir em um letramento anti-antissemita, uma educação atenta a essa realidade, baseada em informação confiável e qualificada. Binenbojm lança seu olhar sobre discursos públicos e manifestações culturais – como peças de Shakespeare, piadas e letras de música – para demonstrar o quanto o preconceito aos judeus segue presente e introjetado em nossa sociedade. Com prefácio do jornalista Pedro Doria, Antissemitismo estrutural oferece aos leitores ferramentas para distinguir críticas legítimas de comportamentos de ódio.




Gustavo Binenbojm é professor titular da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com mestrado e doutorado pela mesma universidade e o título de Master of Laws (LL.M.) pela Yale Law School (EUA). Desde 2022 é membro da Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Como advogado, notabilizou-se pela defesa de causas ligadas à liberdade de expressão perante o Supremo Tribunal Federal, como a que liberou as biografias não autorizadas e a que derrubou a censura ao humor e à crítica jornalística em período eleitoral. Seu maior orgulho é ser pai da Laura e da Beatriz.

ANTISSEMITISMO ESTRUTURAL, de GUSTAVO BINENBOJM
Selo História Real / Editora Intrínseca
Páginas: 208
Livro impresso: R$ 69,90
E-book: R$ 34,90
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