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Uma das figuras centrais na vida cultural brasileira desde 1956, Frederico Morais (1936, Belo Horizonte) ganha uma publicação em dois volumes, com 912 páginas no total, com seus textos críticos publicados no jornal “O Globo”, ao longo das décadas de 1970 e 1980. “Frederico Morais – Arte e Crítica” (Edições Pinakotheke, 2025) é fruto de uma pesquisa de dez anos feita por Stefania Paiva e Rodrigo Andrade, que selecionaram 500 textos desse período abordado. O Volume I cobre os anos 1970; o Volume II, os 1980.

 

Frederico Morais – Arte e Crítica
Max Perligeiro e Olivia Porcaro – Frederico Morais – Arte e Crítica

 

Camila Perlingeiro e Claudia Calirman

 

Ana Holk e Beth Jobin

 

André Martins Morais e Frederico Morais
Bruno Bocayuva e Alyne Belo

 

Fotos Cristina Lacerda

Para celebrar o lançamento da publicação, que dá a partida para as homenagens dos 90 anos de Frederico Morais, em 2026, a Pinakotheke apresenta uma exposição com 25 obras de 22 artistas próximos ao crítico, entre eles Beatriz Milhazes (1960), Carlos Vergara (1941), Cildo Meireles (1948) e Rubem Valentim (1922-1991), em seleção de Stefania Paiva e Diego Matos.

Além das obras, será exibido o filme “Frederico Morais – a crítica-poema” (2025, 30’21”), com direção de Katia Maciel, pesquisa de Stefania Paiva, produção de Camila Perlingeiro e fotografia de Daniel Venosa, com depoimentos sobre o crítico feitos pelos artistas Cildo Meireles, Rosana Palazyan, Carlos Zilio, Milton Machado, Ana Vitória Mussi, Evandro Salles, Beatriz Milhazes e Luiz Alphonsus.

A Pinakotheke Cultural, no Rio de Janeiro, tem o prazer de convidar para o lançamento do livro “Frederico Morais – Arte e Crítica” (Edições Pinakotheke, 2025), em dois volumes, com 456 páginas e formato de 19 x 26 cmcada, com 500 textosdo crítico nascido em 1936, em Belo Horizonte, e que aos trinta anos migrou para o Rio de Janeiro. O livro é resultado da pesquisa de dez anos feita por Stefania Paiva e Rodrigo Andrade sobre as críticas de Frederico Morais publicadas no jornal “O Globo”.

O primeiro volume abrange os textos feitos nos anos 1970, e o segundo os dos anos 1980. A apresentação é do jornalista Nelson Gobbi. “Estes volumes registram um período decisivo de sua escrita, quando sua visão transgressora e não dogmática desafiou convenções e ampliou os limites do que se entende por arte no país”, afirma Camila Perlingeiro, diretora editorial da Pinakotheke.

Junto com a publicação do livro, a Pinakotheke faz a exposição “Frederico Morais – Arte e Crítica”, com 25 obras de 22 artistas próximos ao crítico, em seleção de Stefania Paiva e Diego Matos. As obras reunidas são dos artistas: Abraham Palatnik (1928-2020), Alberto da Veiga Guignard (1896-1962), Anna Maria Maiolino (1942), Antonio Bandeira (1922-1967), Antonio Manuel (1922-1967), Beatriz Milhazes (1960), Carlos Vergara (1941),];

Carlos Zilio (1944), Cildo Meireles (1948), Cláudio Tozzi (1945), Farnese de Andrade (1926-1996), Hélio Oiticica (1937-1980), Ione Saldanha (1919-2001), Luiz Alphonsus (1948), Lygia Pape (1927-2004), Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), Maria Leontina (1917-1984), Raymundo Colares (1944-1986), Rubem Valentim (1922-1991), Rubens Gerchman (1942-2008), Wanda Pimentel (1943-2019) e Wilma Martins (1934-2022).

O livro e a exposição integram a programação dos cem anos do jornal “O Globo”, e iniciam as comemorações dos 90 anos do autor, referência incontornável da arte contemporânea brasileira.

No texto sobre a exposição, Stefania Paiva e Diego Matos destacam que Frederico Morais “é um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira”. “Sua trajetória de vida, que se confunde com a própria história recente da arte no país, atravessa sete décadas de dedicação intensa à cultura, à crítica e à curadoria, sempre em correção ética e política. Em 2026, ao completar 90 anos de idade e 70 anos desde seu primeiro texto crítico, em 1956, sua presença no cenário artístico permanece fundamental para compreender como a arte brasileira se construiu, resistiu e se reinventou diante de contextos sociais e políticos adversos”.

“Ao longo de sua trajetória, Frederico Morais não apenas viveu momentos decisivos da arte brasileira, mas também se tornou um de seus principais cronistas. Sua vasta produção textual – que inclui críticas de jornal, ensaios teóricos, catálogos e livros – constitui um arquivo inestimável para pesquisadores, curadores, professores, gestores e artistas. Mais do que registrar eventos, ele documenta atmosferas, debates e tensões que atravessaram diferentes períodos de nossa história social e cultural”, afirmam os curadores.

A exposição apresenta também uma série de textos fac-similares com aproximação crítica, destacando três caminhos histórico-poéticos relevantes que atravessaram a trajetória de Morais: experiência e radicalidade (a arte dos jovens artistas dos anos 1960/1970); amplitudes modernas (a diversidade do modernismo no Brasil) e identidades de um Brasil plural (muito além do moderno, um país único).

“Funcionando como prelúdio de um universo ainda maior, uma espécie de biblioteca de babel borgiana da arte brasileira, essa mostra permitirá visualizar algumas conexões selecionadas entre crítica e criação, entre curadoria e participação, entre história e presente”, assinalam Stefania Paiva e Diego Matos 

SOBRE FREDERICO MORAIS

Frederico Morais nasceu em 1936, em Belo Horizonte. Aos vinte anos, começoua escrever sobre cinema, e aos trinta organiza a exposição “Vanguarda Brasileira”, na Universidade Federal de Minas Gerais, e se muda para o Rio de Janeiro. Desde 1956, Frederico Morais tem sido uma figura central na vida cultural brasileira, influenciando o cenário artístico com sua atuação como crítico, historiador da arte, curador e artista. Sua obra reflete o processo histórico da arte contemporânea no Brasil. Morais não se limitou à crítica escrita, expandindo sua atuação para a curadoria e criando eventos e exposições que continuam a reverberar nos debates atuais sobre arte.

Sua atuação foi decisiva em salões e exposições, especialmente na imprensa, onde suas ideias desafiaram as convenções da arte brasileira, subvertendo padrões e ampliando os limites do que se entende por arte. Além disso, foi um dos pioneiros a explorar o audiovisual como linguagem crítica. Sua visão transgressora e não dogmática materializou-se em um legado que permanece como referência. Com uma prática autodidata e abordagem multidisciplinar, Morais continuou sendo um observador atento da arte, sempre em busca de novas formas de pensamento e expressão.

Atuou de forma híbrida e sem hierarquias, contestando linguagens e dispositivos tradicionais costumeiros de cada campo de atuação. Sua presença foi fundamental para o desenvolvimento da arte contemporânea no Brasil, organizando exposições-acontecimentos, levando os artistas para fora do museu, inserindo a arte na vida cotidiana e no espaço urbano.

Quando coordenador de cursos no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Frederico Morais criou, em 1968, o Arte no Aterro, e em 1971 os Domingos de Criação, atividades abertas ao público, de grande relevância cultural.Outras iniciativas marcantes de sua trajetória são “Do Corpo à Terra” (1970) e “Agnus Dei” (1970).

Historiador da arte, diretor artístico, curador, jornalista, escritor e artista, suas críticas tiveram grande influência no pensamento da arte, em um profícuo diálogo com a produção artística. Como crítico, teve uma atuação destacada, deixando uma obra vasta – mais de 4.500 textoscríticos em jornais, revistas e catálogos, 42 livrosno Brasil, México e Colômbia, 72 exposições e produção audiovisual pioneira(1969–1981), que o consolidou também como artista, ao propor obras audiovisuais como formas de ensaios críticos.Seus ensaios circularam em 20 países e em nove idiomas.

Frederico Morais atuou em júris de salões e bienais, dirigiu e coordenou instituições como o MAM Rio (1967–1973), Galeria Banerj (1984–1986) e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (1986–1989). Sua atuação como curador inclui mostras históricas como “Entre a mancha e a figura” (1982), “Tempos de Guerra” (1986) e “Missões 300 anos – AVisão do Artista” (1987). Foi o primeiro curador a trabalhar a obra de Arthur Bispo do Rosário(1911-1989) no contexto institucional. Com a proposta de reescrever a história da arte latino-americana, assinou a curadoria geral da a I Bienal do Mercosul (1997).

Autodidata, fez da experimentação o centro de sua pesquisa, articulando pensamento crítico e poético de forma livre e transformadora. Sua obra e arquivo constituem um legado incontornável para compreender a arte brasileira e sua história recente.

Sua trajetória é marcada por 70 anos de dedicação incansável à arte e à cultura no Brasil. 

SOBRE STEFANIA PAIVA

Stefania Paiva é pesquisadora, curadora e editora de arte. Desde2018, atua como relações institucionais e gerente de projetos no ateliê Cildo Meireles e, desde 2015, coordena o arquivo do críticoFrederico Morais. Participou de cerca de 40 projetos na área deartes, humanidades, patrimônio, gestão de acervo e editorial, noBrasil e no exterior. Coordenou o núcleo de exposições da CasaFirjan (2023–2024). Jornalista, é mestre em Acervo e Memória(FCRB) e doutoranda em História da Arte pela UERJ 

SOBRE RODRIGO ANDRADE

Rodrigo Andrade (1986) é pesquisador, editor e produtor cultural. Mestre em Museologia (Programa de Museologia e Patrimônio/Unirio), especialista em Gestão de Museus (UCAM/ABGC) e bacharel em Marketing (UVV/ES). Desde 2007 atua nas áreas de artes visuais, humanidades, patrimônio e música, tendo produzido ou coordenado livros, seminários internacionais, intervenções em edificações tombadas, exposições em museus/centros culturais/galerias e shows.

Em 2012 fundou o escritório AREA27, com projetos para artistas como Daniel Feingold (Museu Vale/ES), Darcílio Lima (Caixa Cultural RJ, SP e BSB), Gustavo Speridião (CCJF), Ivens Machado (MON/Curitiba) e Vicente de Mello (EAV Parque Lage, MAM Rio, Galeria do Lago, Sesc Niterói), entre outros. Desde 2023 é gerente de Produção, Comunicação e Marketing da Casa Museu Eva Klabin.

SOBRE DIEGO MATOS

Diego Matos (Fortaleza, 1979) é pesquisador, professor e curador. Arquiteto e urbanista (UFC), mestre e doutor pela FAU-USP. Foi curador-chefe do MuBE (2022–23), onde realizou as antologias “Frans Krajcberg – por uma arquitetura da natureza” e “Liuba – Corpo indomável” (APCA/2022). Coordena e assina a curadoria de “Lugar Público”, de Antoni Muntadas, no Sesc Pompeia, com as publicações do projeto. É curador de “Uma vertigem visionária – Brasil: nunca mais” (Memorial da Resistência/Pinacoteca, até dez/2025) e da coletiva “JORNAIS ETC.” (Superfície, 2024).

Organizou, com Guilherme Wisnik, “Cildo: estudos, espaços, tempo” (Ubu, 2017; finalista Jabuti/2018) e cocurou, com Júlia Rebouças, “Entrevendo” (Sesc Pompeia, 2019–20). Atuou no 20º Sesc_Videobrasil (2017–18) e na Associação Cultural Videobrasil (2014–16). Vive e trabalha em São Paulo. 

 

Serviço: Lançamento do livro e abertura da exposição “Frederico Morais – Arte e Crítica”

Pinakotheke Cultural

Visitação pública: 1º de setembro a 18 de outubro de 2025

Pinakotheke Cultural – Rio de Janeiro

Rua São Clemente 300, Botafogo

22260-004 – Rio de Janeiro – RJ

Telefones: 21.2537.7566      

E-mail: contato@pinakotheke.com.br

Segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e sábados das 10h às 16h.

Entrada gratuita

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