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Após seis anos de obras, o edifício da antiga Santa Casa, fechado desde 2007, reabriu suas portas. Já foi hospital, asilo e quase virou ruína após um incêndio. Agora, reencontra o Vale do Café ao renascer como Museu Vassouras.

Um novo museu no Vale: após seis anos de obras, o reencontro do prédio com a cidade
Um novo museu no Vale: após seis anos de obras, o reencontro do prédio com a cidade

 

Nos dias 30 e 31 de agosto, mais de duas mil pessoas passaram pelo casarão restaurado. No sábado, o evento reuniu convidados, parceiros, autoridades e a equipe do museu. No domingo, foi a vez da população ocupar o espaço.

Durante o fim de semana, visitantes percorreram os ambientes, reviveram lembranças de infância, compartilharam histórias de família e descobriram novos sentidos para um lugar que hoje pertence a todos.

A emoção estava em cada detalhe: na visita guiada com mais de 120 pessoas, no jardim que voltou a florescer, nos reencontros entre vizinhos e no orgulho de quem esperou por esse momento por tantos anos.

A programação artística celebrou as raízes do território com o tambú de Mestre Wilson Pretinho (Jongo Renascer Vassouras), o acordeão de Guilherme Alves (Folia Divina Irmandade do Oriente) e a flauta de Paulo Brasileiro (PIM).

No jardim, as plantas nativas se misturaram às memórias antigas, como se o tempo ali tivesse apenas adormecido. Para quem é do território, cada detalhe despertou algo já conhecido. Era a sensação de voltar a um lugar que nunca deixou de ser casa.

Erguido em 1848 como o primeiro hospital de Vassouras, o prédio se tornou asilo em 1910, foi tombado pelo Iphan em 1958, interditado em 2007 e atingido por um incêndio em 2011. Marcado pelo tempo e pelo abandono, começou a ganhar nova vida em 2019, com o restauro do Instituto Vassouras Cultural.

O projeto de Maurício Prochnik transformou o prédio em um museu contemporâneo, pronto para acolher memórias, artes e novas narrativas. São 3.330 m² com salas expositivas, ambientes educativos, sala multimídia, café, loja, pátio e jardins.

Com interiores de Gabriela de Matos e paisagismo de Marcos Sá, o museu convida à memória viva, ao afeto e ao futuro compartilhado. No jardim, o Memorial Judaico homenageia Benjamin Benatar e Morluf Levy, sepultados em Vassouras no século XIX.

A curadoria de Ilana Feldman e o paisagismo de Roberto Burle Marx reforçam o compromisso do museu com uma história plural e aberta a novos sentidos.

Em novembro, o Museu Vassouras abre oficialmente com a exposição coletiva “Chegança”, sob curadoria de Marcelo Campos e assistência de Thayná Trindade. A mostra reunirá artistas contemporâneos e tradições do Vale, em três eixos que cruzam folias, vapor e milagres.

A partir daí, começa uma programação contínua: visitas educativas, oficinas, apresentações, ações de formação e outras experiências que mantêm os pés fincados no Vale e os olhos voltados ao futuro.

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