No dia 18 de março (quarta-feira), o andar térreo do Arquivo Contemporâneo de Ipanema (@ arquivocontemporaneooficial) será transformado em uma galeria de arte para receber a exposição “Mergulhe, se puder”, da artista visual Danielle Carcav, que poderá ser visitada até 28/03. Na mesma ocasião, também será apresentada a coleção de móveis Kaleidoscope, assinada pela designer Maria Cândida Machado. Ambos os eventos têm curadoria do arquiteto Alessandro Sartore.

Carcav criou especialmente para “vestir” as paredes do espaço duas obras inéditas de grandes dimensões — cada uma com 10 metros de extensão por 1,40 metro de altura — pintadas sobre papel, com base de tinta acrílica e aplicação de aquarela e gouache. Além disso, realizará também uma interferência na vitrine da loja.
O trabalho da artista — já indicada ao Prêmio PIPA — nasce de um imaginário afetivo ligado à infância, um território em que a fantasia se constrói no tempo lento das brincadeiras inventadas, dos silêncios e da relação direta com o mundo. Em contraste com a infância contemporânea, atravessada por telas e excesso de estímulos, suas imagens evocam um espaço de suspensão, onde o olhar pode descansar e a memória sensível emergir.
“As cenas que crio não têm a intenção de narrar uma história específica. Elas nascem de uma relação intuitiva com esse universo simbólico, onde surgem fragmentos de uma infância que talvez tenha sido vivida ou apenas sonhada”, afirma. Nesse território, natureza, animais e figuras infantis habitam um tempo expandido, transformando cada pintura em um convite à contemplação — um pequeno refúgio poético dentro do ruído do mundo.
Já a coleção Kaleidoscope, de Maria Cândida Machado, se inspira no caleidoscópio — aparelho óptico criado em 1817 que, por meio de reflexos múltiplos entre espelhos, produz imagens coloridas e padrões geométricos em constante transformação. A própria origem da palavra remete a essa ideia de multiplicidade visual: derivada do grego, reúne kalos (belo), eidos (imagem ou figura) e scope (olhar ou observar). “Parti desse princípio para desenvolver uma coleção em que as peças possam ser combinadas de diferentes maneiras, criando composições variadas e dinâmicas no ambiente”, diz a designer.
Ao todo, a coleção reúne 17 peças, entre aparador, escrivaninha, mesa de jantar, buffet, bancos, mesas de centro e laterais, além de complementos decorativos, como caixas e bandejas. Parte delas integra a linha Kalos, marcada pela busca de equilíbrio entre estética e funcionalidade. Já a linha Scope propõe uma leitura mais atenta do design e dos detalhes construtivos, explorando contrastes entre leveza e robustez, transparência e volume, além de estruturas que evidenciam o trabalho da marcenaria e a expressividade da madeira.
Serviço da exposição “Mergulhe, se puder”:
- Arquivo Contemporâneo
- Evento de inauguração: Dia 18/03
- Aberto ao público: De 19 a 28/03
- Local: Arquivo Contemporâneo (@arquivocontemporaneooficial)
- Endereço: Rua Redentor, 247 – Ipanema
- Contato: 21-97007-7507
- Horário de visitação: Segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábado, das 10h às 14h.
- Entrada: Grátis
Minibio:
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Danielle Carcav: Danielle Carcav nasceu em Natal (RN) e, desde 2008, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Em 2009, deixou a engenharia para ingressar na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Jardim Botânico, ampliando sua pesquisa por meio de cursos livres ministrados por artistas e curadores de destaque no cenário da arte contemporânea brasileira. Em cerca de 15 anos de carreira, apresentou suas pinturas em importantes salões de arte do país, recebendo premiações em alguns deles, e em 2012 foi indicada ao Prêmio Investidor Profissional do Ano (PIPA Art Prize).
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Maria Cândida Machado: Com uma carreira que já ultrapassa três décadas no design de mobiliário, Maria Cândida Machado é natural de Ribeirão Preto (SP) e graduou-se em Arquitetura pela PUC/Campinas. Sua trajetória profissional ganhou um novo capítulo no início da década de 1980, quando se estabeleceu em São Paulo e ingressou na Hobjeto, icônica marca de Geraldo de Barros.
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A experiência na fábrica do artista e designer foi um marco em sua formação, permitindo-lhe absorver o rigor do pensamento industrial e as dinâmicas da produção em série. Nesse mesmo período, a interação com a cena emergente de designers e o surgimento de uma nova mentalidade criativa no Brasil motivaram seu interesse em desenvolver peças voltadas ao morar contemporâneo.
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A proximidade com Fulvio Nanni e o entusiasmo pelo seu trabalho foram os impulsos necessários para que ela partisse rumo à Itália, onde se especializou em Desenho Industrial na Università Internazionale dell’Arte di Firenze. Foi essa imersão acadêmica e cultural que consolidou sua convicção de que a criação de móveis seria o seu verdadeiro e definitivo caminho profissional.
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