O Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, na Gávea, abre no dia 1º de março a exposição coletiva Espaçotempo, reunindo 34 artistas contemporâneos em torno de uma reflexão sensível sobre as múltiplas percepções do tempo. A mostra segue em cartaz até 3 de maio.
Com curadoria de Isabel Sanson Portella, a exposição parte do poema O mínimo do máximo, de Paulo Leminski, como eixo conceitual. A proposta desloca o tempo de uma leitura linear e cronológica para um território mais subjetivo — atravessado por memória, imaginação e experiência.
A mostra articula dimensões individuais e coletivas, aproximando palavra e imagem em um diálogo que amplia o campo das artes visuais. Leminski, poeta de humor agudo e síntese radical, surge como disparador de ressonâncias entre literatura e visualidade.
Segundo a curadora, a intenção é pensar o tempo menos como sequência e mais como permanência, retorno e transformação — aquilo que se inscreve no corpo e na memória.
Em uma cidade acostumada a viver sob a urgência do presente, “Espaçotempo” convida o público a desacelerar — e a perceber que o tempo, talvez, seja mais experiência do que calendário.
Se a física compreende o espaço-tempo como uma trama indivisível onde passado, presente e futuro coexistem, a arte é o território onde essa abstração ganha corpo sensível e tátil. Em Espaçotempo, o tempo deixa de ser medida para tornar-se matéria — dobra, memória, presença. Não é linha: é superfície que se toca. Não é relógio: é experiência que se atravessa.
Fotos Cristina Granato









