Tivemos o prazer de conversar com o maestro Felipe Prazeres, titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e também maestro associado da Orquestra Petrobras Sinfônica. Felipe Prazeres é dono de um carisma avassalador e de uma gestualidade corporal que transcende o palco, transformando-o em um gigante na regência orquestral.
Andar pelo interior do Theatro acompanhado por pessoas que vivem o dia a dia do Municipal é uma experiência verdadeira de amor à arte e ao trabalho árduo de manter um organismo vivo da cultura brasileira, entregue à sociedade e ao espetáculo.
Felipe Prazeres circula pelo Theatro Municipal como quem caminha por sua própria casa. Uma intimidade afetuosa com os espaços, com as pessoas e com o palco — seu grande altar.
Recém-chegado de uma turnê pela Alemanha, Polônia e Suíça com a Orquestra Johann Sebastian Rio, onde apresentaram o espetáculo “Sambach”, que rendeu excelentes críticas e grande sucesso de público, o maestro nos recebeu em estado de pura felicidade.
Felipe Prazeres descende de uma família musical. Filho do maestro Armando Prazeres, fundador da Orquestra Petrobras Sinfônica, e da cantora Manuela Prazeres, integrante do coro da mesma orquestra, a influência familiar sempre esteve presente.
Mas o menino Felipe precisava decidir qual seria seu instrumento — uma escolha que definiria anos de estudo e dedicação. Optou pelo violino. Uma decisão desafiadora, porque “para tocar violino, primeiro você precisa se escutar, absorver o som do instrumento e o som que você produz com ele”. Apesar do talento natural, foram muitos anos de estudo, primeiro em casa, com professores, e depois nas grandes escolas europeias.
“Aos 20 anos, assumi o posto de spalla da Petrobras Sinfônica. Há 15 anos comecei meu interesse pela arte da regência, que é um caminho sem fim”, ressalta o maestro, que também destaca o apoio e a mentoria especial do maestro Isaac Karabtchevsky em sua trajetória.
Um mergulho profundo na música, sempre buscando compreender a arte e os sentimentos que ela desperta na vida e no tempo. Essa base, Felipe Prazeres encontrou no compositor e músico alemão Johann Sebastian Bach — uma terra fértil, sólida e perfeita para qualquer músico. Nele, Felipe encontrou tudo. Mas, com a alma brasileira, ainda lhe faltava algo que traduzisse sua identidade.

Foi então que o encontro da Johann Sebastian Rio com o premiado músico e violinista alemão Linus Roth, durante o XXX Festival Internacional de Música do Pará, traçou um novo rumo para a orquestra e seus integrantes. A parceria, que completa dez anos, despertou criatividade e deu origem a diversas criações conjuntas, como o espetáculo “Sambach”, que voltou à Europa em junho de 2025, sempre com apresentações lotadas.
Nas apresentações da Johann Sebastian Rio, o grupo — em formato de orquestra de câmara — interpreta clássicos de Bach, além da Cantilena das Bachianas nº 5, de Villa-Lobos. Esta obra atua como ponte entre o repertório erudito e a música brasileira que segue: arranjos únicos do músico e arranjador Ivan Zandonade para clássicos do choro, samba e bossa nova — Desafinado, Garota de Ipanema, Samba de uma nota só, Conversa de Botequim, Tico-tico no Fubá — culminando nos sambas-exaltação Brasil Pandeiro, Brasileirinho e Aquarela do Brasil.
Aos 48 anos, o maestro Felipe Prazeres é pai de Nina, fruto de seu casamento com a atriz Carol Castro, a quem ele considera o grande amor de sua vida. “Minha filha tem aquele dom natural… quem sabe vem aí mais uma artista na família.” Felipe também é irmão do maestro Carlos Prazeres, atual regente titular da Orquestra Sinfônica da Bahia — uma verdadeira família de grandes músicos.
Este ano, o maestro tem uma agenda cheia. No próximo dia 03/08, ele rege a Orquestra Petrobras Sinfônica no concerto MultiPlayer, com músicas de seus games favoritos. Imagine só que incrível: arranjos sinfônicos para Super Mario, The Legend of Zelda, Sonic, Street Fighter, Metal Gear, Mortal Kombat, Fortnite e muitos outros, em arranjos exclusivos de Ricardo Candido. O palco escolhido foi o Teatro Sabesp, na Rua Frei Caneca, em São Paulo. Ingressos disponíveis no site Uhuu.

Fiquem atentos à programação do Theatro Municipal e da OPES — a qualquer momento, o maestro Felipe Prazeres pode estar regendo na sua cidade.