Nara Roesler tem o prazer de convidar para abertura, em 3 de fevereiro de 2026, às 18h, da exposição “Rasura”, com curadoria de Victor Gorgulho, que selecionou 23 trabalhos de artistas representados pela galeria, além de quatro convidados. Apagamentos, fragmentação, esconder, velar, destruir, subtrair e adicionar estão presentes na exposição, mas também “a rasura como um gesto de revelação, de concepção, de criação artística”, comenta o curador.
Fotos Murilo Tinoco

A montagem privilegia aproximações entre os trabalhos, de modo a destacar a ideia da rasura nas pinturas com materiais e suportes variados, e ainda esculturas, vídeos, objetos, fotografias, que ocupam os dois andares da galeria Nara Roesler Rio de Janeiro.
Victor Gorgulho conta no texto que acompanha a exposição que entre os anos 1950 e 1953 o artista norte-americano Robert Rauschenberg (1925 2008) “produziu uma série de trabalhos que investigavam a possibilidade de a criação artística ser concebida através não da adição da matéria (da tinta e afins), mas sim a partir de seu apagamento”.
Rauschenberg acabou decidindo procurar Willem de Kooning (1904–1997), “artista por quem nutria enorme respeito e admiração, pedindo-lhe um de seus desenhos, deixando de Kooning a par de que sua obra seria apagada – rasurada, afinal”. Rauschenberg, junto com o também artista Jasper Johns (1930), criou então “Erased de Kooning Drawing [Desenho Apagado de de Kooning]”, em 1953. “A rasura tornava-se, ali, parte do processo e do conceito da obra de arte”, afirma Gorgulho.

“O trabalho curatorial aqui é pedir licença com respeito à galeria, aos artistas, para poder também colocá-los em conversa, porque desse modo eles ganham dimensões possíveis da rasura”, explica Gorgulho. “A rasura não tem é apenas a ideia do lápis preto rabiscando, apagando. Nesta mostra ela assume um lugar mais amplo e que muitas vezes pode ser solar, aberto, leve. A rasura não vem só de uma intensidade do gesto, do plano, do bastão de óleo preto que rabisca, escreve”.
“No campo da arte”, continua o curador”, a rasura assume, de fato, uma miríade de significados e possibilidades, desde então, para muito além do seu sentido estrito. A rasura é conceito, fragmentação, diluição, destruição, subtração, escavação, ficcionalização e ainda mais. Gestos tão corporais quanto mentais”.
Na exposição, estão reunidas obras distintas, pensamentos e ideias diversas, “corpos velados, camadas de tinta a sedimentarem outras já gastas, superfícies rasuradas, pinturas e desenhos que operam pela retirada e não pela inclusão, um vídeo cuja montagem sugere a velocidade irrepreensível de seu conteúdo visual e mais”. “Tudo vira obra, trabalho, labor, da cuca e da mão, expondo as fraturas (e rasuras), que teimam em saltar da pele que encobre tudo o que aqui se vê”.



SOBRE VICTOR GORGULHO
Curador, pesquisador, graduado em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ, e mestrando em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Participou da curadoria, junto com Adriana Varejão e Helena Freitas, da exposição panorâmica “Entre os vossos dentes”, que inaugurou o novo prédio contemporâneo da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, de abril a setembro de 2025, com trabalhos das artistas Adriana Varejão e Paula Rego. Em 2024, junto com a crítica e curadora Luisa Duarte, foi coorganizador do volume cinco da série “Pacto Visual” (Editora ID Cultural).
Também junto com a curadora, foi organizou “No tremor do mundo – Ensaios e entrevistas à luz da pandemia” (Editora Cobogó, 2020). Foi curador-chefe do Instituto Inclusartiz, fundado e presido por Frances Reynolds, com sede física no Rio de Janeiro, e atua ainda hoje em projetos concebidos com instituições parceiras do Instituto, como o TBA-21 Academy, braço contemporâneo do Museu Thyssen-Bornemisza, em Madri. Curou exposições individuais e escreveu ensaios curatoriais para exposições e publicações de artistas como Laura Lima, Dudi Maia Rosa, Rodrigo Torres, Raul Mourão, Carlos Vergara, Anderson Borba, Cristina Canale, Guga Ferraz, dentre outros.
Curador convidado do projeto Pivô Satélite, junto dos curadores Diane Lima e Raphael Fonseca, cujos projetos ocuparam a plataforma digital do Pivô Arte e Pesquisa (São Paulo), durante os anos de 2020 e 2021, com trabalhos inéditos de jovens artistas brasileiros, tais como Rafael BQueer, Davi Pontes e Wallace Ferreira, Anarca Filmes e Diambe. Entre 2019 e 2022 foi o curador do MIRA, programa de videoarte da feira ArtRio.
Integrou o corpo curatorial da Despina, centro de pesquisa e residência artística no Rio de Janeiro, sob a direção de Consuelo Bassanesi.
No Cineclube do espaço, promoveu a exibição de filmes e conversas com artistas como Cristiano Lenhardt, DISTRUKTUR e Karim Aïnouz. Curou as exposições “LABOR” (Om-Art, Rio de Janeiro, 2019/2020), “Vivemos na melhor cidade da América do Sul”, junto com Bernardo José de Souza (Átomos, Rio de Janeiro, 2016 e Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, 2017); “O terceiro mundo pede a bênção e vai dormir” (Despina, Rio de Janeiro, 2017); “Eu sempre sonhei com um incêndio no museu – Laura Lima & Luiz Roque”, no Teatro de Marionetes Carlos Werneck (Rio de Janeiro, 2018); “Perdona que no te crea” (Carpintaria, Rio de Janeiro, 2019).
Cocurador, com Keyna Eleison, da exposição “Escrito no Corpo” (Carpintaria, Rio de Janeiro, 2020; Tanya Bonakdar Gallery, 2021), “Os Monstros de Babaloo” (Fortes D’Aloia e Gabriel – Galpão, 2021). Como jornalista, foi editor assistente de cultura do “Jornal do Brasil“(2014-2017) e colaborou com veículos como o “El País” (BR/ES), “Terremoto” e “Folha de São Paulo”.


SOBRE NARA ROESLER
Nara Roesler é uma das principais galerias de arte contemporânea do Brasil, representa artistas brasileiros e latino-americanos influentes da década de 1950, além de importantes artistas estabelecidos e em início de carreira que dialogam com as tendências inauguradas por essas figuras históricas. Fundada em 1989 por Nara Roesler, a galeria fomenta a inovação curatorial consistentemente, sempre mantendo os mais altos padrões de qualidade em suas produções artísticas.
Para tanto, desenvolveu um programa de exposições seleto e rigoroso, em estreita colaboração com seus artistas; implantou e manteve o programa Roesler Hotel, uma plataforma de projetos curatoriais; e apoiou seus artistas continuamente, para além do espaço da galeria, trabalhando em parceria com instituições e curadores em exposições externas. A galeria duplicou seu espaço expositivo em São Paulo em 2012 e inaugurou novos espaços no Rio de Janeiro, em 2014, e em Nova York, em 2015, dando continuidade à sua missão de proporcionar a melhor plataforma possível para que seus artistas possam expor seus trabalhos.
Serviço: Exposição “Rasura”
Abertura: 3 de fevereiro de 2026, às 18h
Até: 14 de março de 2026
Entrada gratuita
Nara Roesler
Rua Redentor, 241, Ipanema, Rio de Janeiro, CEP 22421-030
Segunda a sexta, das 10h às 18h
Sábado, das 11h às 15h
Telefone: 21 3591 0052
info@nararoesler.art
Comunicação: Beatriz de Paula – com.sp@nararoesler.com
Canais digitais:
Instagram – @galerianararoesler
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