Galeria Marília Razuk apresenta “O Ovo como uma Esfinge”, exposição individual de Thiago Rocha Pitta, com texto crítico de Camila Bechelany.

A mostra reúne pinturas em afresco e aquarelas, instalação e escultura e busca aprofundar a investigação do artista sobre a paisagem como processo vivo, em constante transformação.
Desde o início de sua trajetória, Thiago Rocha Pitta desenvolve uma prática marcada pela observação atenta das sutis mutações do mundo natural, da erosão lenta da areia às variações atmosféricas e dinâmicas invisíveis que atravessam a matéria. Sua produção desloca a noção tradicional de paisagem como representação estática e a compreende como experiência física e temporal.
Como afirma Camila Bechelany, “distante da tradição da paisagem como imagem estabilizada do território, seu trabalho opera a partir da experiência direta com matérias naturais e evoca temporalidades que excedem a escala humana”.
Entre as linguagens presentes na exposição, o afresco de Thiago Rocha Pitta se destaca, técnica que o artista aprofundou na Itália, onde estudou seus procedimentos tradicionais. O afresco implica pintar diretamente sobre a argamassa ainda úmida, permitindo que o pigmento mineral se fixe quimicamente à superfície durante o processo. Trata-se de um método que exige precisão, tempo e domínio.
Ao incorporar o afresco à sua prática contemporânea, Rocha Pitta ativa uma técnica histórica associada à permanência e à memória, mas a coloca em diálogo com sua investigação sobre transformação.
Os pigmentos, integrados à cal, tornam-se parte estrutural da superfície, enquanto pequenas variações de umidade, temperatura e absorção produzem nuances imprevisíveis. Assim, mesmo em um procedimento milenar, o artista mantém sua postura de mediador: “os elementos que constituem o corpo físico das obras […] não são tratados como signos simbólicos, mas como agentes ativos”, escreve Bechelany.

Ao trazer para o espaço expositivo fragmentos do mundo que continuam em mutação, seja na escultura, na instalação ou no afresco, Rocha Pitta reforça a ideia de que “a paisagem é um acontecimento”, ainda segundo Camila Bechelany. A galeria torna-se, assim, extensão do ambiente natural, um campo no qual tempo geológico, memória histórica e experiência sensível se entrelaçam.
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