O texto de apresentação de Antonio Cicero Lima ressalta a extraordinária pulsação cromática de suas obras, que têm a luz como protagonista

O artista plástico Marcos Duprat, aos 81 anos e com mais de cinco décadas dedicadas à pintura, inaugurou na noite de ontem a exposição Matéria e Luz na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. A mostra segue em cartaz até 3 de maio e depois parte para o Ateliê Casa Um, em São Paulo.
As obras evidenciam o domínio da velatura — técnica clássica da pintura a óleo que constrói a imagem por meio de camadas sucessivas e transparentes de tinta. O resultado é uma superfície vibrante, marcada por sutilezas cromáticas e profundidade luminosa. Como já observou o poeta Antonio Cicero, essa sobreposição cria nas telas de Duprat uma pulsação particular, quase atmosférica.
A abertura reuniu colecionadores, amigos e admiradores do artista em uma noite movimentada. Entre conversas e reencontros, o vernissage confirmou o prestígio de Duprat no circuito carioca. Uma presença aguardada, no entanto, acabou não comparecendo — detalhe que não tirou o brilho da celebração.
Mais sobre o artista
O artista Marcos Duprat
Marcos Duprat nasceu no Rio de Janeiro, onde iniciou sua formação artística no ateliê do Museu de Arte Moderna (MAM). Prosseguiu na prática do desenho e da pintura, completando o Mestrado em Belas Artes na American University em Washington, D.C., onde realizou sua primeira mostra individual em 1977. Diplomata, após sua permanência nos Estados Unidos, viveu sucessivamente em Lima, Tel Aviv, Milão, Budapeste, Montevidéu,Tóquio, Cidade do Cabo e Kathmandu.
Dentre suas exposições individuais no Brasil, cabe assinalar aquelas
realizadas no Museu de Arte de São Paulo (MASP), em 1979 e 1988, no Museu de Arte Contemporânea (MAC ), em 1995, na Pinacoteca do Estado (2006) e no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), em 2015, em São Paulo. No Rio de Janeiro, expôs no Centro Cultural Correios (1995 e 2008), no Instituto Cultural Villa Maurina (1996), no Centro Cultural Banco do Brasil (1999), na Biblioteca Nacional (2016/2017) e no Museu Nacional de Belas Artes (2017).
No exterior, cumpre destacar as exposições realizadas em Milão, no Centro Culturale San Fedele (1990); em Budapeste, no Museu Nacional (1993); em Montevidéu, no Museo de Arte Contemporaneo (1999); em Tóquio, no Teien Metropolitan Art Museum (2002) e na Fujyia Art Gallery ( 2005) Em Kathmandu na Sidhartha Art Foundation (2013). E em Roma, no Pallazzo Pamphilj (2019).





“Matéria e Luz”, texto de Antonio Cicero Lima, da Academia Brasileira de Letras (ABL) datado de 2018 para a exposição no Palazzo Pamphilj
Seja quando suas obras se referem ao mundo exterior, seja quando se referem a interiores – ou, nas palavras do próprio artista, ” ao mundo interior” – o elemento dominante da pintura de Marcos Duprat é a luz, que ele apreende através do uso rigoroso da técnica tradicional da velatura. Este consiste na produção da cor através da sobreposição, por transparências e acréscimos, de diversas camadas de tinta. Trata-se, como já observou, a propósito de uma exposição de Duprat, o grande crítico José Guilherme Merquior, de “uma pintura lenta, em adágio, propícia à meditação do duplo, à ponderação da série, à perquirição da profundidade.”
Assim, as pinturas de Duprat, como toda verdadeira obra de arte, são produzidas através de uma relação dialética – de amor e de luta – entre suas intenções iniciais e atenção às exigências, aos caprichos e às sugestões de obra Infieri. A cada passo, ele se sente solicitado pela própria pintura a desenvolver novas soluções pictóricas. Duprat conhece profundamente a complexa relação entre o pintor, a matéria com a qual trabalha e a técnica que emprega. É, sem dúvidas, ao uso sutil e criterioso da velatura que se deve a extraordinária pulsação cromática de suas obras
Nas pinturas que se referem ao mundo interior destacam-se, por um lado, janelas, portas, corredores e passagens iluminadas que conduzem ao mundo exterior e, por outro lado, espelhos que, por sua faculdade reflexiva, evocam a possibilidade da introspecção, ou seja, de uma interioridade ainda mais profunda. Temos assim um incessante retorno do mundo exterior ao interior, e vice-versa. A pintura de Marcos Duprat convida nossa imaginação a não apenas passear pela superfície de suas telas, mas a mergulhar nos seus diáfanos corredores, espelhos, passagens, lagos e mares.




Fotos Marco Rodrigues
Luís Sandes – Curador
Serviço:
Marcos Duprat
“Matéria e Luz”, abertura no dia 3 de março, às 18h, em cartaz até o dia 3 de maio.
Centro cultural em Rio de Janeiro, RJ
Av. Vieira Souto 176, Rio de Janeiro, RJ, 22420-000
(21) 2332-2016
Ateliê Casa Um
José Maria Lisboa, 873 | CASA 1, São Paulo, Brazil 01423003