• Post author:

Obra reúne transcrição de entrevista histórica gravada em 1996, com relatos pessoais e bastidores da política brasileira, organizada por Juliana Brizola e Rejane Guerra

Há histórias que não envelhecem — apenas aguardam o momento certo para vir à tona.

Três décadas depois de ter sido gravado, um depoimento inédito de Leonel de Moura Brizola (1922–2004) finalmente ganha forma pública. O livro Brizola por ele mesmo. Documento inédito, da Editora Insular, será lançado no Rio de Janeiro, trazendo à luz uma narrativa direta, sem mediações, de um dos personagens mais marcantes da vida política brasileira.

A obra é organizada por sua neta, Juliana Brizola, e pela jornalista e pesquisadora Rejane Guerra. O lançamento aconteceu ontem dia 8 de abril, às 19h, na Livraria Travessa do Shopping Leblon.

O material tem origem em uma gravação realizada em 1996, na cidade natal de Brizola, Carazinho (RS), durante um encontro com historiadores e antigos companheiros. Registrado originalmente em fitas cassete, o áudio foi recentemente recuperado e agora integra o livro — inclusive acessível por meio de QR Code, permitindo que a voz do próprio Brizola atravesse o tempo.

O prefácio é assinado pelo jornalista Roberto D’Avila, amigo próximo do ex-governador e figura relevante na trajetória política vinculada ao seu legado.

A publicação nasceu de um achado quase acidental. Em 2014, um conterrâneo entregou a Juliana um caderno já marcado pelo tempo, contendo a transcrição datilografada da entrevista. O material foi então compartilhado com Rejane Guerra, no Rio, dando início a um processo de organização que só agora se concretiza editorialmente.

Ao longo de mais de quatro horas de depoimento, Brizola revisita sua trajetória com franqueza pouco comum. Fala da infância marcada pela pobreza — quando, até os seis anos, nunca havia usado sapatos — e do início precoce no trabalho, aos nove, em um açougue. Mas o relato ultrapassa o registro pessoal.

Ao evocar a morte do pai, assassinado durante a Revolução de 1923, quando ainda era um bebê, o depoimento insere sua história no contexto mais amplo das tensões sociais e políticas do país. A narrativa revela não apenas o homem público, mas a formação de um pensamento moldado por perdas, deslocamentos e pela força da figura materna, responsável pela alfabetização dos filhos.

Mais do que memória, o livro se apresenta como documento. Um material bruto, direto, que preserva o tom original da fala e oferece ao leitor — e ao país — a possibilidade de revisitar um tempo que ainda reverbera.

Algumas vozes, afinal, não se apagam. Apenas esperam ser ouvidas novamente.

Livro inédito revela depoimento de Leonel Brizola após 30 anos é lançado no Rio

Fotos Cristina Granato
Christovam de Chevalier e Jan Terra

 

Augusto Ribeiro , Juliana e Carlos Brizola e Rejane Guerra

 

Rosara de Oliveira Maneira e seu primo Geraldinho Carneiro

 

Eduardo e Rosara de Oliveira Maneira e Juliana Brizola e Rejane Guerra

 

Juliana Brizola , Bernardo Mello Franco e Rejane Guerra

 

Juliana Brizola e Rejane Guerra

 

Brizola
Rejane Guerra e Paulo Betti

 

Irmãos – Leonel , Maria Inez, Juliana, Vicente e Carlos Brizola

 

O casal Cristina e Jorge Roberto Silveira