O bate-papo acontece no próximo dia 25 (sábado), às 16h, sobre como a pintura, hoje, além da representação da realidade, é um jogo pictórico de forma e cor.

A exposição “Matéria e Luz”, de Marcos Duprat, artista plástico veterano, 81 anos, sendo 51 deles dedicados à carreira artística, teve o prazo de visitação estendido até 10 de maio, na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. No próximo dia 25 (sábado), às 16h, na galeria, o artista participa de “Uma conversa sobre pintura” com o curador da mostra, Luis Sandes, a museóloga Monica Xexeo e o veterano artista Luiz Aquila.
Uma conversa sobre pintura
“A pintura, junto à dança, é a manifestação artística primordial do ser humano. Desde a pintura rupestre até a arte urbana atual, é bastante evidente esse desejo do ser humano de retratar a imagem, de realizar a imagem. A pintura vai se tornando, cada vez mais, uma espécie de janela pela qual o espectador olha para uma outra realidade, recriada, mas recriada em cima de uma realidade visível.
Isso perdura até o final do século XIX, quando os artistas europeus, naquele momento, em Paris, principalmente Van Gogh, Picasso e Gauguin, se interessam pela arte primitiva, pela arte primitiva africana e também pelas gravuras japonesas, que lidam com a cor, a perspectiva, a linha, de uma forma diferente. Isso é uma grande revolução na pintura que provoca, digamos, que traz a pintura do século XX, que é uma pintura moderna, como nós chamamos, em que a superfície pictórica e a interação de forma e cor é o que conta.
O olho é atraído não pela recriação de uma realidade visível, mas por esse jogo pictórico, por esse jogo visual de forma e cor realizado”, explica Duprat sobre o tema do bate-papo.
Mônica Xexéo é uma museóloga e gestora cultural brasileira, reconhecida por sua atuação na preservação do patrimônio artístico. Mestre em História e Crítica da Arte pela EBA/UFRJ, ela já atuou como diretora do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), com sólida base acadêmica em História e Crítica da Arte.
Luiz Aquila é pintor, desenhista, gravador e professor brasileiro, conhecido também por seu papel de orientador artístico da Geração 80, quando era professor na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Participou de três edições da Bienal Internacional de São Paulo, da 27ª Bienal de Veneza e teve retrospectivas de sua obra no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Museu de Arte de São Paulo, e no Paço Imperial.
“Paisagem I”, 117 X 92, óleo sobre tela (2023)
“Duprat conhece profundamente a complexa relação entre o pintor, a matéria com a qual trabalha e a técnica que emprega. A pintura de Marcos Duprat convida nossa imaginação a não apenas passear pela superfície de suas telas, mas a mergulhar nos seus diáfanos corredores, espelhos, passagens, lagos e mares”, diz Antonio Cicero Lima, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL) que assina texto de apresentação da exposição.
“Por meio do trabalho com a luz, o pintor discute a solidão, o duplo, a impermanência, o transcendente e o onírico. Nas obras presentes nesta mostra, Marcos Duprat explora os limites entre representação da realidade visível e a criação de espaços pictóricos geométricos em que a luz, denominador comum das obras expostas, têm um papel protagonista, como define o curador Luis Sandes (Doutor em História da Arte pela USP).
A exposição, depois, segue para o Ateliê Casa Um, em São Paulo.
Mais sobre o artista
O artista Marcos Duprat
Marcos Duprat nasceu no Rio de Janeiro, onde iniciou sua formação artística no ateliê do Museu de Arte Moderna (MAM). Prosseguiu na prática do desenho e da pintura, completando o Mestrado em Belas Artes na American University em Washington, D.C., onde realizou sua primeira mostra individual em 1977. Diplomata, após sua permanência nos Estados Unidos, viveu sucessivamente em Lima, Tel Aviv, Milão, Budapeste, Montevidéu,Tóquio, Cidade do Cabo e Kathmandu.
Dentre suas exposições individuais no Brasil, cabe assinalar aquelas realizadas no Museu de Arte de São Paulo (MASP), em 1979 e 1988, no Museu de Arte Contemporânea (MAC ), em 1995, na Pinacoteca do Estado (2006) e no Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), em 2015, em São Paulo. No Rio de Janeiro, expôs no Centro Cultural Correios (1995 e 2008), no Instituto Cultural Villa Maurina (1996), no Centro Cultural Banco do Brasil (1999), na Biblioteca Nacional (2016/2017) e no Museu Nacional de Belas Artes (2017).
No exterior, cumpre destacar as exposições realizadas em Milão, no Centro Culturale San Fedele (1990); em Budapeste, no Museu Nacional (1993); em Montevidéu, no Museo de Arte Contemporaneo (1999); em Tóquio, no Teien Metropolitan Art Museum (2002) e na Fujyia Art Gallery ( 2005) Em Kathmandu na Sidhartha Art Foundation (2013). E em Roma, no Pallazzo Pamphilj (2019). Ele realizou inúmeras mostras em galerias no Brasil e no exterior e tem obras nas instituições culturais acima mencionadas, bem como em outras, e em coleções particulares no Brasil e no exterior.
“Matéria e Luz”, texto de Antonio Cicero Lima, da Academia Brasileira de Letras (ABL) datado de 2018 para a exposição no Palazzo Pamphilj
Seja quando suas obras se referem ao mundo exterior, seja quando se referem a interiores – ou, nas palavras do próprio artista, ” ao mundo interior” – o elemento dominante da pintura de Marcos Duprat é a luz, que ele apreende através do uso rigoroso da técnica tradicional da velatura. Este consiste na produção da cor através da sobreposição, por transparências e acréscimos, de diversas camadas de tinta. Trata-se, como já observou, a propósito de uma exposição de Duprat, o grande crítico José Guilherme Merquior, de “uma pintura lenta, em adágio, propícia à meditação do duplo, à ponderação da série, à perquirição da profundidade.”
Assim, as pinturas de Duprat, como toda verdadeira obra de arte, são produzidas através de uma relação dialética – de amor e de luta – entre suas intenções iniciais e atenção às exigências, aos caprichos e às sugestões de obra Infieri. A cada passo, ele se sente solicitado pela própria pintura a desenvolver novas soluções pictóricas. Duprat conhece profundamente a complexa relação entre o pintor, a matéria com a qual trabalha e a técnica que emprega. É, sem dúvidas, ao uso sutil e criterioso da velatura que se deve a extraordinária pulsação cromática de suas obras
Nas pinturas que se referem ao mundo interior destacam-se, por um lado, janelas, portas, corredores e passagens iluminadas que conduzem ao mundo exterior e, por outro lado, espelhos que, por sua faculdade reflexiva, evocam a possibilidade da introspecção, ou seja, de uma interioridade ainda mais profunda. Temos assim um incessante retorno do mundo exterior ao interior, e vice-versa. A pintura de Marcos Duprat convida nossa imaginação a não apenas passear pela superfície de suas telas, mas a mergulhar nos seus diáfanos corredores, espelhos, passagens, lagos e mares.
“Mergulho na Luz” por Luis Sandes, Curador
Como colocou Antonio Cícero, as pinturas de Marcos Duprat nos convidam a percorrer suas superfícies e a mergulhar no que apresentam. O cerne da obra do artista reside em seu trabalho com matéria e luz. É por meio do pigmento que ele elabora a luz, como que dando concretude a ela em suas pinturas e trabalhos sobre papel.
Radha Abramo observou que, em Marcos Duprat, se trava um jogo óptico entre a matéria dos pigmentos e o incorpóreo da luz. É criada uma interação entre o visível, o corpóreo e o vir a ser da luz. A forma e a cor estruturam o espaço pictórico, em que a luz ocupa as imagens com o propósito de desarticular e desconstruir a composição já existente.
Por meio do trabalho com a luz, o pintor discute a solidão, o duplo, a impermanência, o transcendente e o onírico. Nas obras presentes nesta mostra, Marcos Duprat explora os limites entre a representação da realidade visível e a criação de espaços pictóricos geométricos em que a luz, denominador comum das obras expostas, têm um papel protagonista.
Luís Sandes – Curador
Serviço:
“Matéria e Luz”, abertura no dia 3 de março, em cartaz até o dia 10 de maio.
Centro cultural em Rio de Janeiro, RJ
Av. Vieira Souto 176, Rio de Janeiro, RJ, 22420-000
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