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No dia de São Jorge, não tem meio-termo: ou se acredita ou se celebra — e, no Bar do Zeca Pagodinho, faz-se as duas coisas com a mesma intensidade. A já tradicional feijoada do santo guerreiro voltou a reunir devotos, boêmios e apaixonados por samba em uma tarde onde fé, música e gastronomia caminham de mãos dadas — como manda a melhor liturgia carioca.

Das 13h às 18h, as unidades do Flamengo, Vogue Square, NorteShopping e Park Jacarepaguá pulsaram ao som de um Brasil que resiste com alegria. No palco, nomes que dispensam legenda — Xande de Pilares, Caju Pra Baixo, Fabinho, entre outros — deram o tom de uma tarde que começou leve e terminou apoteótica, como um bom partido-alto.

Mas há de se falar da feijoada. Assinada pelo chef Toninho Momo, ela não é apenas um prato — é quase um patrimônio afetivo. Farta, generosa, servida com todos os ritos: linguiça suculenta, arroz branco soltinho, torresmo crocante, couve no ponto, farofa da casa e a indispensável laranja. Tudo isso regado a um open bar que ajudava a manter o compasso da festa: chope, caipirinhas e aquele clima de domingo com alma de feriado sagrado.

Na Barra, o esquenta ficou por conta do Pagode do Sabiá, preparando o terreno para a chegada triunfal de Xande. No NorteShopping, o Caju Pra Baixo comandou o coro. Em Jacarepaguá, Fabinho fez sua roda girar. Já no Flamengo, o Samba do Mikimba e Dudah garantiram o suingue fino da Zona Sul.

Devoto assumido de São Jorge, Zeca Pagodinho recebeu amigos e nomes conhecidos em sua casa — porque é isso que o Bar do Zeca é: uma extensão afetiva do anfitrião. Entre abraços e brindes, circulavam Alcione, Eri Johnson, Cissa Guimarães, Antônio Pitanga, Juliana Knust, Claudio Manoel, Jorge Perlingeiro, Moacyr Luz e Teresa Cristina — uma constelação que traduz bem o espírito da tarde.

O ponto alto veio quando Xande de Pilares, já dono da roda, recebeu o próprio Zeca no palco. A participação surpresa incendiou o público, transformando a celebração em catarse coletiva — dessas que só o samba, quando bem servido, é capaz de provocar.

Porque no fim das contas, entre um gole e outro, entre um verso e outro, o que se viu ali foi mais do que uma festa: foi o retrato de um Rio que ainda sabe celebrar sua fé com alegria, sua música com verdade e sua mesa com generosidade.

E como diria o próprio santo — salve Jorge.

Fotos Vera Donato

Jorge
Teresa Cristina e Xande de Pilares

 

Cissa Guimarães

 

Alcione, Xande de Pilares e Teresa Cristina

 

Tilia e Jair de Castro

 

Antonio Pitanga, Jorge Perlingeiro e Monica Silva

 

Zeca Pagodinho e Monica Silva

 

Moacyr Luz e Alcione

 

Bernard Rajzman e Carminha Gatto Missio