Alberto Landgraf lança Oteque: Ideas, Principles, Recipes, Stories and Connections — e não é só livro de receitas, é manifesto de método.
À frente do Oteque, casa com estrela Michelin e presença constante na lista The World’s 50 Best Restaurants, Landgraf abre o processo: filosofia, bastidores e precisão cirúrgica na cozinha. A publicação da Phaidon, com textos de Andrea Petrini e fotos de Robert Astley-Sparke, estreia em inglês — mirando o mundo.
O lançamento aconteceu no dia 29/04, na Livraria da Travessa — ponto de encontro entre cozinha e pensamento, prato e página.
Mais que técnica, o livro organiza pensamento. Landgraf não ensina prato: ensina raciocínio. Um manual de criação que atravessa a gastronomia e encosta em qualquer território onde ideia, rigor e identidade importam.
A sustentabilidade, que já orienta o dia a dia do Oteque, ganha no livro Oteque: Ideas, Principles, Recipes, Stories and Connections um papel estrutural. Cada receita vem acompanhada de dados de pegada de carbono — calculados com a mesma régua aplicada no restaurante —, transformando o gesto de cozinhar em consciência mensurável. Não é discurso: é método.
A abordagem conecta Alberto Landgraf a uma agenda global que reposiciona a gastronomia — rastreabilidade, sazonalidade e responsabilidade como pilares de criação. Aqui, o prato deixa de ser apenas resultado e passa a ser também processo.
As imagens de Robert Astley-Sparke ampliam essa narrativa: pratos dialogam com paisagens brasileiras, ingredientes e produtores. Não é estética gratuita — é território traduzido em linguagem visual, reforçando uma das obsessões de Landgraf: a origem como parte indissociável da ideia.

Filho de pai alemão e mãe japonesa, o chef carrega no repertório essa precisão híbrida. Começou na Física antes de migrar para a cozinha — e isso explica muito. Formado em Londres, passou por casas de Tom Aikens e Gordon Ramsay. Hoje, organiza tudo isso em um pensamento próprio, onde rigor, identidade e impacto caminham juntos.
Fotos Vera Donato








