A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro inicia um novo capítulo na relação com seus antigos alunos. A tradicional Associação dos Antigos Alunos da universidade agora assume oficialmente o nome Alumni PUC-Rio, movimento que traduz uma visão mais contemporânea, internacional e estratégica de pertencimento.
E inaugura essa nova fase com um nome simbólico: o advogado Guilherme Morais, escolhido como o primeiro Embaixador Alumni da instituição.
Formado pela graduação e pelo mestrado em Direito Civil da PUC-Rio, Guilherme construiu dentro da universidade não apenas sua trajetória acadêmica, mas também uma relação afetiva rara com a instituição. Hoje, coordena a pós-graduação em Direito Imobiliário e fala da universidade quase como quem descreve uma cidade íntima — dessas que moldam silenciosamente o destino de alguém.
Natural de Volta Redonda, vindo de uma família de médicos, ele seguiu outro caminho. Encontrou no Direito e, sobretudo, na atmosfera plural da PUC-Rio, um ambiente fértil onde convivem pensamento crítico, tradição humanista e proximidade com alguns dos grandes nomes do universo jurídico brasileiro.

“O que eu quero é devolver tudo que a universidade me entregou”, resume.
Católico, entusiasta confesso da vida universitária e profundamente ligado aos valores da instituição, Guilherme enxerga o novo papel menos como um título e mais como uma missão. Sua atuação passa por aproximar antigos alunos, estimular redes de apoio e ampliar o alcance das iniciativas do Alumni PUC-Rio, especialmente em torno da cultura de doação e financiamento estudantil.
A meta é ambiciosa: captar R$ 35 milhões em 2026 para viabilizar 130 bolsas de estudo. Um movimento que aproxima a PUC-Rio do modelo dos grandes fundos patrimoniais internacionais — os chamados endowments — já consolidados em universidades de referência ao redor do mundo e que começam, finalmente, a ganhar corpo no Brasil.
Na definição elegante do próprio Guilherme, “o embaixador é um tradutor de culturas”. Alguém capaz de transformar pertencimento em engajamento e memória afetiva em legado concreto.

Seu envolvimento já se faz notar no fortalecimento do Programa PUC-Rio para Todos, na aproximação de novos parceiros e também no desenho de um projeto piloto voltado à concessão de bolsas para o Mestrado Profissional em Direito, com participação ativa dos antigos alunos da pós-graduação.
Há algo de simbólico nesse movimento. Em tempos em que tantas instituições buscam apenas relevância imediata, a PUC-Rio parece apostar justamente no contrário: na construção lenta de vínculos duradouros, na memória compartilhada e na ideia de comunidade intelectual que atravessa gerações.
E Guilherme Morais entende bem esse espírito. “O exemplo arrasta. Quando as pessoas veem outras contribuindo, isso inspira e multiplica”, afirma.
Talvez seja exatamente assim que as universidades mais importantes do mundo se perpetuam: menos pelos prédios que erguem e mais pelas pessoas que permanecem ligadas a elas, mesmo depois de atravessar seus portões.