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Festival Masculinidades ocupa MAR e Museu do Amanhã com Baco Exu do Blues, Ailton Krenak, Rita Von Hunty e Padre Júlio Lancellotti

O Rio de Janeiro será palco de uma das discussões mais contemporâneas — e urgentes — da cultura global. No próximo dia 29 de maio, o Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã recebem o Festival Masculinidades, um encontro gratuito que mistura debates, música, oficinas, performances e arte para discutir novas formas de existir, cuidar e conviver em sociedade.

Em tempos em que a chamada “manosfera” ocupa espaços cada vez mais ruidosos nas redes sociais, o festival propõe um caminho menos bélico e mais inteligente: pensar a masculinidade a partir do afeto, da escuta e da responsabilidade coletiva. E faz isso sem abrir mão de potência estética, diversidade cultural e nomes capazes de mobilizar diferentes gerações.

Entre os convidados estão Baco Exu do Blues, Rita Von Hunty, Ailton Krenak, Padre Júlio Lancellotti, o pastor e deputado Henrique Vieira, além de artistas, intelectuais, ativistas e lideranças religiosas que transitam entre cultura, política, espiritualidade e comportamento.

O encontro integra a primeira edição do MenCare Changemaker Summit 2026, evento internacional que reúne lideranças de seis continentes para discutir igualdade de gênero e novos modelos de masculinidade. A iniciativa é conduzida pela Equimundo em parceria com a WOW – Mulheres do Mundo, além do Instituto PapodeHomem e Instituto Mapear.

Masculinidades
Músico Jordan Stephens, escritor Ailton Krenak e Padre Júlio Lancellotti são alguns dos participantes do evento – imagem: divulgação

Um dos momentos mais aguardados acontece ao meio-dia, quando Baco Exu do Blues divide o palco com o artista e ativista britânico Jordan Stephens para uma conversa sobre masculinidade e música. O rapper baiano, que transformou vulnerabilidade emocional em linguagem pop sem perder contundência política, parece simbolizar perfeitamente o espírito do festival: homens que não têm medo de abandonar velhos personagens de força tóxica.

Às 14h, o debate “Mantendo a Fé: religião, identidade e cuidado” reúne Padre Júlio Lancellotti, Henrique Vieira e Ivanir dos Santos em uma conversa que promete atravessar espiritualidade, inclusão e transformação social — tema particularmente sensível em um Brasil onde religião e política frequentemente caminham juntas.

Já no Museu do Amanhã, o esporte entra em cena como território de disputa simbólica. A mesa “Placar do jogo: esporte e cuidado” discute como atletas, jornalistas e influenciadores vêm questionando a cultura agressiva que historicamente moldou os ambientes esportivos masculinos.

O festival também abre espaço para experiências mais sensoriais e urbanas. Haverá oficinas de passinho, slam, percussão, rodas de capoeira, campeonato de altinha e até um espaço dedicado aos cuidados masculinos e à paternidade cotidiana — talvez uma das imagens mais fortes dessa nova conversa sobre homens: a ideia de que cuidar também pode ser revolucionário.

Entre os destaques internacionais, o fotógrafo britânico Kay Rufai apresenta “Smiling Boys in Maré”, projeto inédito realizado com jovens negros do Complexo da Maré. Em vez da estética da violência que costuma enquadrar corpos periféricos, o artista aposta em imagens de afeto, orgulho e pertencimento.

O encerramento fica por conta do duo ÁVUÁ, formado por Jota.pê e Bruna Black, em um show gratuito que promete transformar a área portuária em celebração coletiva.

Mais do que um festival temático, o Masculinidades parece funcionar como um termômetro cultural do nosso tempo. Uma tentativa de responder, através da arte e do diálogo, uma pergunta que paira sobre o século XXI: que tipo de homens queremos formar daqui para frente?

Festival Masculinidades ocupa museus no Rio de Janeiro dia 29/05

Outras vozes culturais de destaque que participam do festival incluem a artista e apresentadora Rita Von Hunty; o escritor e ativista climático Ailton Krenak; o médico especialista em saúde sexual LGBTQ+ Dr. Vinicius Borges (Doutor Maravilha); o comediante e apresentador Rafa Chalub; o artista e poeta Math de Araujo; o escritor, filósofo e pesquisador sobre relações raciais Renato Noguera; o artista Juca Fiis; o político e delegado de polícia do Rio, Orlando Zaccone; a ativista de Direitos Humanos Irone Santiago; o antropólogo e filósofo Luiz Eduardo Soares; o escritor, colunista, apresentador e criador de conteúdo Jonas Maria; o criador do projeto ‘Homem Paterno’ Tiago Koch; o artista e compositor All. iceee; a ativista Gilmara Cunha; o acadêmico, escritor e cientista do esporte Leonardo Peçanha; a ativista e primeira mulher trans a atuar na Marinha do Brasil, Bruna Benevides; o apresentador do Queer Eye, Luca Scarpelli; e o fotógrafo Daniel Gonçalves.