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A artista Kika Carvalho apresenta, de 28 de maio a 27 de junho, sua nova exposição individual na Portas  Vilaseca, O Tempo da Cor, com texto crítico de Fabiana Lopes. A abertura acontece na sede da galeria no  bairro de Botafogo (Rua Dona Mariana, 137 – casa 2) nesta quinta-feira, dia 28 de maio, a partir das 19h00.  

Kika Carvalho - O tempo da cor - obras - Portas Vilaseca
Kika Carvalho – O tempo da cor – obras – Portas Vilaseca

 

Reunindo cerca de 20 obras entre pinturas a óleo e desenhos, a mostra inaugura um novo desdobramento  da pesquisa da artista sobre cor, luz e paisagem, desenvolvida nos últimos anos e aprofundada recentemente  durante sua participação na residência “Estação Cultural Mosteiro Zen Morro da Vargem”, em Ibiraçu, no  Espírito Santo. 

Realizada em setembro de 2025, dentro do ciclo “Sonhar Floresta” e com curadoria de Clara Sampaio,  a residência marcou uma inflexão importante na produção de Carvalho. O período de permanência no  mosteiro instaurou uma experiência de observação desacelerada da paisagem e da passagem do tempo  — “o tempo de escrever, de desenhar, de observar e sentir o espaço à sua volta”, como aponta o texto de  Fabiana Lopes. A convivência cotidiana com a vegetação, a incidência da luz sobre as plantas, a presença  dos animais e as transformações cromáticas ao longo do dia passaram a atravessar de maneira decisiva a  construção pictórica da artista. 

A exposição se organiza em dois núcleos que correspondem a diferentes estados de percepção da paisagem:  o “dia”, apresentado no térreo da galeria, e a “noite”, no segundo andar. No primeiro conjunto de trabalhos,  Carvalho investiga a luz solar e os processos de dessaturação cromática, utilizando o branco como elemento  atmosférico e de suspensão visual. Em pinturas marcadas por névoas, brumas e luminosidades rarefeitas, a  cor parece emergir lentamente da superfície. 

Essa investigação também revela um deslocamento na trajetória recente da artista: da observação de paisagens  marítimas e da predominância do azul ultramar para uma abertura gradual do espectro cromático em direção  aos verdes, amarelos e brancos. “Como produzir os verdes-amarelados que surgem com a incidência da  luz do dia? Como alcançar os verdes-azulados que cobrem a vegetação à noite?”, escreve Lopes sobre as  questões que marcam a nova série de trabalhos. 

A transição para o núcleo noturno acontece por meio de uma pintura que dialoga com a produção da  artista sueca Hilma af Klint, especialmente em sua compreensão da sombra como dimensão constitutiva da  existência. A partir daí, a mostra mergulha em atmosferas noturnas marcadas por azuis profundos, vegetações  densas e figuras híbridas que parecem surgir e desaparecer na paisagem. Em obras nas quais verdes e azuis  se confrontam e borram os limites entre figuração e dissolução, a pintura passa a operar como experiência  sensível do tempo e da percepção. 

O título da exposição remete justamente à ideia de um “tempo da cor” — conceito que atravessa toda a  pesquisa recente da artista e que se aproxima da noção japonesa de Ma, evocada no texto crítico como um  espaço-tempo construído no intervalo, na pausa e na duração. Mais do que representar a natureza observada  durante a residência, as obras parecem acompanhar suas mudanças mínimas, seus ritmos silenciosos e suas  transformações contínuas. 

Entre presença e aparição, luz e sombra, O Tempo da Cor marca um momento de amadurecimento na  trajetória de Kika Carvalho, afirmando a pintura como espaço de desaceleração do olhar e de atenção às  variações sensíveis da experiência. 

Serviço 

O Tempo da Cor – Kika Carvalho 

Texto crítico: Fabiana Lopes 

Abertura: 28 de maio de 2026, quinta-feira, 19h 

Período da exposição: 28 de maio – 27 de junho de 2026 

Horários de visitação: Terça a sexta, 11h–19h, Sábados, 11h–17h 

Local: Portas Vilaseca – Rua Dona Mariana, 137, casa 2 – Botafogo, Rio de Janeiro, RJ Entrada gratuita 

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Sobre a artista 

A prática de Kika Carvalho (n.1992, Vitória, ES) é centrada sobretudo na pintura a óleo, onde investiga as relações entre  corpo, tempo, luz e transformação da cor na paisagem. Sua produção articula figuras humanas, atmosferas naturais e  cenas suspensas, criando composições em que corpos, vegetação e luminosidade parecem compartilhar o mesmo estado  de vibração e instabilidade.

Em telas que mesclam o azul ultramar a verdes, amarelos e brancos densos e cambiantes,  suas composições refletem as mutações cromáticas da vegetação, da luz e das paisagens silenciosas. Entre figuras  femininas, seres híbridos e atmosferas enevoadas, suas cenas tecem espaços de contemplação que reúnem a experiência  pessoal, o aprendizado intergeracional e a escuta do que nos cerca 

Exposições individuais selecionadas: “Ultramar”, Casa Museu Eva Klabin, Rio de Janeiro (2023); “Das promessas que a  gente fez”, Portas Vilaseca, Rio de Janeiro (2022). Exposições coletivas recentes incluem: “Pluralidades Insulares: arte  latino-americana e caribenha no acervo do BID”, Centro Cultural Fiesp, São Paulo (2026); “Dignidade e luta: Laudelina  de Campos Mello”, IMS Poços de Caldas, MG e IMS Paulista, São Paulo (2025-2026); “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira”,  Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro (2023-2025); “Um defeito de cor”, Museu de  Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro; Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, Salvador; e Sesc Pinheiros, São Paulo (2022- 

2025); entre outras.  

Suas obras fazem parte de importantes coleções institucionais, entre elas: Pinacoteca de São Paulo (São Paulo, Brasil);  Inter-American Development Bank – IDB Art Collection (Washington DC, EUA); Museu de Arte do Rio – MAR (Rio de  Janeiro, Brasil); Inhotim (Minas Gerais, Brasil) e Mucane – Museu Capixaba do Negro (Espírito Santo, Brasil). Carvalho foi  indicada ao Prêmio Pipa em 2021 e 2023.

Sobre a autora do texto 

Fabiana Lopes é pesquisadora e curadora independente, vivendo entre São Paulo e Nova York, e doutoranda em estudos  de performance na New York University. Situada na intersecção entre estudos de performance e pensamento crítico  negro, sua prática curatorial se fundamenta em uma pesquisa de longo prazo sobre a produção artística contemporânea  da diáspora africana no Brasil e nas Américas, com especial atenção às maneiras pelas quais artistas mobilizam forma,  gesto e materialidade como proposições críticas. 

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Crédito das fotos 

Vistas e obras da exposição: Rafael Adorjan – Cortesia Portas Vilaseca 

 @portasvilaseca