Um primeiro encontro expositivo que nasce de uma convivência real — ateliês próximos, trocas ao longo dos anos, afinidades que foram se revelando aos poucos. A exposição reúne trabalhos recentes de dois artistas que, partindo de pesquisas formalmente distintas, compartilham o interesse pelo processo, pela repetição e pela construção das formas ao longo do tempo.

Paulo Whitaker traz pinturas construídas em camadas, com estêncil e sobreposições que transitam entre figura e fundo, memória e percepção. Rodrigo Sassi apresenta relevos em pastilhas cerâmicas que expandem a superfície bidimensional e dialogam com a arquitetura e o cotidiano urbano.
Sem buscar equivalências, a mostra revela como dois percursos singulares podem convergir — e tornar visível o que há muito vinha sendo construído em silêncio.
A afinidade entre Sassi e Whitaker é, no entanto, de outro tipo: tem a ver com a maneira como cada um se relaciona com o processo, com o acaso, com aquilo que o trabalho ainda precisa descobrir de si mesmo. Ambos constroem vocabulários que operam segundo leis internas. As formas de Whitaker pertencem ao mundo pictórico; os objetos de Sassi condensam a cidade. Em nenhum dos dois casos há mensagem a decodificar, nem ponto de chegada que se entregue facilmente.
Há também, nos dois, uma relação com o tempo: a pintura de Whitaker guarda as decisões tomadas, os percursos abandonados, as tentativas que deixaram rastro. Já os trabalhos de Sassi carregam a história dos materiais que os compõem, o tempo anterior à obra que se torna parte da obra. O presente de cada trabalho contém um passado que permanece ativo, e é essa densidade que dá a ambos sua qualidade de presença.
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