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Mostra “Respiração”, em cartaz no Solar Grandjean de Montigny a partir de 27 de agosto, abre programação que reunirá universidades católicas de sete países em torno do pensamento da empatia

PUC-Rio abre primeira Trienal das Universidades Católicas com exposição inédita de artistas plásticos internacionais sobre empatia
PUC-Rio abre primeira Trienal das Universidades Católicas com exposição inédita de artistas plásticos internacionais sobre empatia

A PUC-Rio será a primeira das universidades a abrir a programação da ART CUT’26 – Trienal de Arte das Universidades Católicas, uma exposição internacional que reúne universidades católicas de diferentes países em torno da arte como lugar de pensamento, diálogo e construção de uma sociedade mais humana e empática. A exposição “Respiração”, instalada no Museu Universitário Solar Grandjean de Montigny, no campus da Universidade, será inaugurada em 27 de agosto e ficará em cartaz até 15 de novembro. A Trienal seguirá, entre setembro e dezembro, pelo Chile, Colômbia, Estados Unidos, Itália, Portugal e Angola. O encerramento prevê uma exposição coletiva em Veneza, um dos lugares mundiais mais decisivos para a representação das artes visuais. O evento da PUC-Rio é gratuito e aberto ao público.

Idealizada pelo Dicastério para a Cultura e Educação da Santa Sé e pelo cardeal José Tolentino de Mendonça, para aproximar as Universidades Católicas e afirmá-las como grandes laboratórios culturais da contemporaneidade, a Trienal tem, nesta sua primeira edição, a curadoria geral do professor e pesquisador português Nuno Crespo. O tema proposto, “Exercises in Empathy” (Exercícios de Empatia), deseja estimular uma ampla conversa global sobre o papel das universidades e da cultura diante dos desafios atuais.

Em vez de concentrar todas as obras em um único local, o projeto conecta diferentes universidades católicas em uma programação compartilhada, com curadorias locais que dialogam entre si a partir de uma reflexão interdisciplinar em torno à empatia. Na Encíclica “Magnifica Humanitas”, Papa Leão XIV afirma que os sistemas tecnológicos e a Inteligência Artificial podem simular a empatia, «mas não com-preendem o que produzem, porque não penetram o horizonte afetivo, relacional e espiritual» típicos do ser humano (MH, n.99).

E insiste em que as universidades “possam ter voz e contribuir para o discernimento sobre as escolhas que afetam a vida das pessoas” (MH, n. 72). A Trienal é, assim, uma experiência de dar voz cultural às Universidades e, por meio delas, tocar com empatia a sociedade inteira.

Para o reitor da PUC-Rio, padre Anderson António Pedroso, a realização da primeira Trienal das Universidades Católicas representa um gesto de enorme relevância em um momento em que o mundo enfrenta desafios marcados pela intolerância, pelos conflitos e pela dificuldade de diálogo. “Ao reunir artistas de diferentes origens, culturas e linguagens, a iniciativa reafirma o papel da arte como espaço de encontro, reflexão e construção de esperança.

Para a PUC-Rio, é uma honra ser a primeira instituição a receber essa exposição, fortalecendo nossa missão de promover o diálogo entre fé, cultura, ciência e sociedade. Abrir as portas do Solar Grandjean de Montigny para este projeto é reafirmar nosso compromisso com uma universidade que acredita na cultura como instrumento de transformação, acolhimento e promoção da dignidade humana”, afirma.

Segundo o diretor do Solar Grandjean de Montigny, Carlos Eduardo Felix, a exposição vai marcar uma nova fase para o museu da PUC-Rio. “Será o início de um grande sonho do Dicastério para a Cultura e a Educação e irá consolidar o Solar como um espaço efetivo para a cidade, um movimento que iniciamos no ano passado e que atingirá seu ápice com esta iniciativa. Será o resultado final de um ciclo e o início de outro, em que o Solar terá muito mais visibilidade e participação na agenda cultural da cidade”, declarou.

O trecho da exposição da Trienal, que acontecerá na PUC-Rio, foi concebido em colaboração com os curadores Luiz Camillo Osório e Carlos Eduardo Felix, e o objetivo é transformar o conceito de empatia em uma reflexão sobre o ato de respirar, condição essencial da vida que ganha novos significados diante das crises ambientais, dos conflitos, das pandemias e dos processos de desumanização que marcam o mundo contemporâneo.

“Vivemos em um mundo hiperestimulado, onde tudo é rápido. Precisamos constantemente nos reencontrar em nossos corpos, sentir os pulmões, o ar que a gente infla. É isto que vai proporcionar o descanso, a contemplação. A respiração não está sendo entendida apenas como um ato biológico, mas como uma ação política”, explicou Felix.

O percurso expositivo foi organizado em três núcleos interligados — Suspirar, Respirar e Conspirar — que ocupam diferentes espaços do Solar Grandjean de Montigny e conduzem o visitante por distintas experiências de percepção e reflexão. A proposta parte da ideia de que respirar também significa criar espaços de escuta, de contemplação e de comunidade, fundamentais para reconstruir os vínculos humanos em tempos de polarização, fragmentação e isolamento.

Entre os destaques estão uma obra inédita de artista João Modé criada especialmente para ocupar o subsolo histórico do Solar; o vídeo In-Out (Antropofagia), de Anna Maria Maiolino, considerado um marco da videoarte brasileira; a instalação audiovisual The White Album, do norte-americano Arthur Jafa, referência internacional nas discussões sobre raça e representação; trabalhos de Antonio Manuel produzidos durante a pandemia; a instalação fílmica Black Corporeal (Between This Air), de Julianknxx, que transforma a respiração em metáfora de pertencimento e liberdade; além de obras de Brígida Baltar e da dupla Carminho e João Pimenta Gomes, criada especialmente para a Trienal.
 

ANNA MARIA MAIOLINO 
In-Out (Antropofagia) (1973–1974)
Artista: Anna Maria Maiolino é uma das principais artistas contemporâneas brasileiras, reconhecida por investigar corpo, linguagem e política em diferentes suportes. Em 2024, recebeu o Leão de Ouro pelo conjunto da obra na Bienal
de Veneza.
Obra: Vídeo emblemático da videoarte brasileira que utiliza a boca como metáfora da censura, da linguagem e da resis-tência. Ao explorar os limites entre silêncio e expressão, reflete sobre liberdade e repressão.

ARTHUR JAFA
The White Album (2018)
Artista: Cineasta e artista norte-americano, Arthur Jafa é referência na investigação das experiências negras por meio da imagem em movimento. Sua obra articula cinema, arquivo e cultura visual para discutir raça e memória.
Obra: Ensaio audiovisual que reúne imagens de diversas origens para revelar como a branquitude e o racismo se estruturam nas representações e relações de poder da sociedade contemporânea.

ANTONIO MANUEL
Incontornáveis (2020/21)
Artista: Um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira, Antonio Manuel desenvolve, desde a ditadura militar, uma produção que relaciona arte, política e comuni-cação. É conhecido por suas intervenções críticas sobre jornais.
Obra: Série produzida durante a pandemia em que jornais são transformados por cortes e intervenções, criando novas leituras sobre isolamento, memória e resistência diante da crise sanitária.

BRÍGIDA BALTAR 
Coleta de Orvalho (1993–2005)
Artista: Brígida Baltar foi uma das mais importantes artistas brasileiras de sua geração, conhecida por uma poética voltada à natureza, ao tempo e aos gestos mínimos. Sua obra valoriza a contemplação e a impermanência.
Obra: A artista recolhe gotas de orvalho em pequenos frascos, transformando um gesto delicado em reflexão sobre memória, efemeridade e a relação entre o ser humano e a natureza.

IGOR JESUS
Série Sem título (2024)
Artista: Artista português que explora os limites da fotografia através de processos analógicos e experimentais, investigando a relação entre imagem, luz, matéria e percepção.
Obra: Nesta série de fotografias, a imagem é submetida a interferências e apagamentos que a deslocam da representação documental para um território entre presença e ausência, onde figura e abstração coexistem.

JOÃO MODÉ
Chão e/and Chaos (2026)
Artista: João Modé desenvolve uma produção marcada pelo diálogo entre arquitetura, natureza e participação do público, utilizando diferentes linguagens e intervenções no espaço.
Obra: Criada especialmente para a Trienal, a instalação ocupa o porão do Solar Grandjean de Montigny com argila, elementos naturais e projeções, estabelecendo um diálogo sensível com a arquitetura, o tempo e a memória do lugar.

JULIANKNXX
Black Corporeal (Between This Air) (2020–2022)
Artista: Poeta, cineasta e artista interdisciplinar de Serra Leoa radicado em Londres, Julianknxx investiga memória, diáspora africana e identidade negra por meio de filmes, performances e instalações.
Obra: Instalação fílmica que transforma a respiração em símbolo de existência, cura e resistência, refletindo sobre racismo estrutural e afirmando os corpos negros como es-paços de criação e pertencimento.
 

Serviço
Exposição: Respiração
Evento: ART CUT’26 – Catholic Universities Art Triennial (Primeira Trienal do Vaticano)

Abertura: 27 de agosto de 2026
Local: Solar Grandjean de Montigny – PUC-Rio
Comissário: Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé

Curadoria: Nuno Crespo com Luiz Camillo Osório e Cadu

Curador assistente: João Pedro Amorim
 

Promovido pelo:
Prefeito: José Tolentino Card. de Mendonça
Secretarios: Dom. Paul Tighe e Dom Carlo Maria Polvani
Dep. Arte Contemporânea: Cristiano Grisogoni cristiano.grisogoni@dce.va 
Dep. Comunicação: Angelica Ferreira angelica.ferreira@dce.va

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