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O Teatro Casa Grande completou 60 anos ontem, 25 de agosto, e celebrou a data com uma noite especial para convidados, marcada pela apresentação de Fernanda Montenegro em “Nelson Rodrigues por Ele Mesmo”, leitura dramatizada baseada no livro homônimo organizado por Sônia Rodrigues, filha do dramaturgo.

Mais do que uma comemoração, a noite revisitou a trajetória de um dos mais importantes espaços culturais do país. Inaugurado em 25 de agosto de 1966, no Leblon, o Casa Grande nasceu como café-teatro e rapidamente se transformou em teatro, tornando-se ponto de encontro de artistas, intelectuais, estudantes, políticos e diferentes gerações de brasileiros.

Por seu palco passaram nomes fundamentais da cultura brasileira, em espetáculos que marcaram época, como “Brasileiro, Profissão Esperança”, com Paulo Autran, Ítalo Rossi, Bethânia e Bibi Ferreira, e “O Mistério de Irma Vap”, além de artistas como Marco Nanini, Ney Latorraca, Miguel Falabella, Claudia Raia e Paulo Gustavo.

Mas a história do Casa Grande vai muito além do teatro. Durante a ditadura militar, a casa se transformou em espaço de resistência e liberdade de expressão. Ali aconteceu o primeiro ato público em defesa da anistia no Rio, foram realizadas reuniões que impulsionaram as Diretas Já e, em 1984, o teatro recebeu o lançamento da candidatura de Tancredo Neves à Presidência.

No ano seguinte, o então ministro da Justiça Fernando Lyra anunciou simbolicamente no palco o fim da censura no Brasil. Foi Tancredo quem definiu o Casa Grande como “o território livre da democracia no Brasil”.

A casa também enfrentou incêndio, dificuldades financeiras e, mais recentemente, a pandemia, sempre encontrando maneiras de permanecer em cena. Reconstruído e modernizado em 2008, o teatro chegou aos 60 anos reafirmando sua vocação para a arte, o encontro e o pensamento crítico.

O legado continua dentro das próprias famílias fundadoras. Silvia Haus, Leo Haus e Rodrigo Gerheim, filhos dos fundadores, mantêm a direção da casa, enquanto a terceira geração já começa a participar da rotina do teatro.

Na noite de ontem, Fernanda Montenegro deu ainda mais brilho à celebração ao revisitar Nelson Rodrigues em uma apresentação que sintetiza a vocação do Casa Grande: reunir grandes artistas, memória, cultura e público em torno de uma experiência viva.

A programação dos 60 anos continua com uma intervenção artística e visual assinada por Jair de Souza. “Nelson Rodrigues por Ele Mesmo” volta ao palco em sessão aberta ao público no dia 7 de setembro.

Aos 60 anos, o Casa Grande segue fazendo jus à sua história. Porque, como resume o próprio teatro, algumas histórias não pertencem ao passado: continuam estreando, geração após geração.

Fotos Cristina Granato

Casa
Fernanda Montenegro

 

Leo Haus com o filho Eduardo e o neto Gael e Thayane Cunha

 

Os irmãos Elisa e Mauro Ventura

 

Jandira Feghali e Milton Cunha

 

Renata Brandão, Alice Braga e Alice Carvalho
Alan Rocha

 

Joana Motta e Edgar Amorim

 

Moyses Fuks entre Luisa e Norma Thiré

 

Fernanda Montenegro

 

Totia Meireles e Claudia Netto

 

Karin Roepke e Edson Celulari

 

Thiago Lacerda