Galeria de Arte Ipanema celebra 61 anos reunindo, pela primeira vez, obras de Maria Leontina, Milton Dacosta e Alexandre Dacosta
Há famílias que passam receitas de cozinha de geração em geração. Outras passam negócios, histórias, sobrenomes. E há aquelas que passam um jeito de olhar o mundo.
É justamente esse olhar que está no centro da nova exposição da Galeria de Arte Ipanema, que chega aos 61 anos de atividade reunindo, pela primeira vez, obras de Maria Leontina, Milton Dacosta e Alexandre Dacosta — mãe, pai e filho — em uma exposição que atravessa gerações e coloca frente a frente diferentes maneiras de pensar e fazer arte.
“Leontina, Milton e Alexandre — A Transmissão do Olhar” não é simplesmente um encontro familiar nas paredes de uma galeria. É uma conversa entre três artistas separados por épocas, experiências e linguagens, mas unidos por uma história que começa dentro de casa e ganha novos contornos diante da tela.
Maria Leontina e Milton Dacosta são nomes fundamentais da arte brasileira moderna. Alexandre Dacosta, filho do casal, pertence a outra geração e construiu seu próprio percurso na arte contemporânea. O interessante está justamente aí: perceber o que permanece e, principalmente, o que muda.
Porque herança artística não significa necessariamente repetir o que veio antes. Às vezes, significa justamente ter coragem de romper.
Na exposição, abstração, geometria, figuração, cor, gesto e matéria se encontram. São trabalhos que revelam diferentes momentos da pintura brasileira e mostram como cada artista recebeu determinadas referências para depois transformá-las à sua maneira.
O pai não pinta pelo filho. A mãe não determina o caminho do filho. O filho não precisa continuar a pintura dos pais. O que existe é algo mais sutil: uma atmosfera, uma memória, uma convivência com a arte e uma maneira particular de enxergar o mundo.
E talvez seja essa a verdadeira transmissão do olhar.
Ao completar 61 anos, a Galeria de Arte Ipanema também reafirma sua própria história como testemunha de diferentes momentos da arte brasileira. A exposição coloca, lado a lado, duas histórias que se encontram: a de uma galeria que atravessou décadas acompanhando transformações da arte e a de uma família que fez da criação uma experiência de vida.
No fim das contas, a pergunta que fica não é apenas o que um artista deixa para a próxima geração.
É o que a próxima geração faz com aquilo que recebeu.
E aí começa a parte mais interessante da história: quando a herança deixa de ser herança e vira criação.
Galeria de Arte Ipanema celebra 61 anos com exposição de Maria Leontina Milton Dacosta e Alexandre Dacosta
Fotos Vera Donato











