Uma noite para celebrar Sergio Rodrigues
Sergio Rodrigues completaria 99 anos ontem, terça-feira, e a data não passou em branco. Muito pelo contrário. Foi motivo para um encontro daqueles que fazem sentido: gente querida, memória, design e uma história brasileira que continua absolutamente presente.
No sexto andar da CasaCor Rio, a exposição “A Forma Informal”, criada pelas arquitetas Bel Lobo e Mariana Travassos, a convite de João Caetano, do Arquivo Contemporâneo, já presta uma bela homenagem ao mestre do design brasileiro. A mostra antecipa, de certa maneira, o clima das comemorações do centenário de Sergio, que será celebrado no próximo ano.
Mas João Caetano resolveu aproveitar a coincidência do calendário para fazer mais. No dia em que Sergio completaria 99 anos, reuniu em torno de sua obra alguns dos personagens que melhor representam a continuidade de seu legado.
Estavam lá os filhos, Angela e Roberto Rodrigues, em um encontro naturalmente carregado de afeto e memória. Também Fernando Mendes, sobrinho de Sergio, designer e fundador e presidente do Instituto Sergio Rodrigues, que há anos trabalha para preservar e difundir a obra do tio. E Gisèle Schwartsburd, proprietária da LinBrasil, que há 25 anos se dedica exclusivamente à fabricação das criações de Sergio Rodrigues.
E falar de Sergio é falar de peças que ultrapassaram o universo do design para entrar definitivamente na cultura brasileira. A poltrona Mole, talvez sua criação mais reconhecida internacionalmente, estava ali também, lembrando por que aquele homem que gostava de desafiar as formas tradicionais continua tão contemporâneo.
O encontro teve esse sabor especial de celebração íntima em meio a uma grande mostra. Não era apenas uma exposição sobre um designer. Era uma reunião de pessoas que conviveram, trabalharam, pesquisaram, produziram e, sobretudo, continuam contando a história de Sergio Rodrigues.
Fiquei pensando que talvez essa seja uma das melhores maneiras de celebrar um artista: não apenas olhando para aquilo que ele deixou, mas reunindo ao redor de sua obra quem continua fazendo com que ela aconteça.
Aos 99, Sergio Rodrigues segue presente. E, pelo visto, já preparando a festa dos 100.
Fotos Ari Kaye







