• Post author:

“Os Ciúmes” reúne psicanálise, literatura e personagens da cultura carioca em Ipanema

Nem a chuva intermitente que caiu sobre o Rio tirou o movimento da Livraria da Travessa de Ipanema na noite de lançamento de Os Ciúmes, das psicanalistas Renata Salgado e Maria Helena Carneiro da Cunha. O endereço não poderia ser mais apropriado: Ipanema é território afetivo e cotidiano das duas autoras, que escolheram o bairro para a primeira sessão de autógrafos de um projeto amadurecido ao longo de dez anos.

Entre escritores, artistas, jornalistas, psicanalistas e personagens conhecidos da vida cultural carioca, o lançamento acabou se transformando também em um animado encontro de amigos. E havia ali um certo sabor de crônica social. Antes de se dedicar à psicanálise, Maria Helena Carneiro da Cunha trabalhou durante alguns anos na coluna de Ibrahim Sued, um dos nomes que marcaram a história do colunismo brasileiro. Ipanemense por afinidade e botafoguense de carteirinha, é presença habitual na torcida alvinegra e mantém com o Rio uma relação que vai muito além da paisagem.

Décadas depois dos tempos de coluna, estava ela própria, ao lado de Renata Salgado, no centro de uma movimentada noite carioca, recebendo uma sucessão de nomes das artes, da literatura, do jornalismo e da psicanálise.

Publicado pela carioca Editora 7Letras, que há 30 anos ocupa um espaço importante na literatura independente brasileira e já lançou mais de dois mil títulos, Os Ciúmes nasceu de uma longa investigação conduzida pelas duas psicanalistas. Para o livro, elas reuniram 12 artistas, escritores, intelectuais e pensadores e lançaram uma provocação aparentemente simples: falar sobre a própria relação com o ciúme.

A partir daí, memória afetiva, experiências pessoais e reflexão se misturam para tentar compreender um sentimento que atravessa épocas, relações e classes sociais. Mais do que procurar uma definição, Renata e Maria Helena apostaram na escuta — matéria-prima da psicanálise — para revelar as diferentes maneiras pelas quais o ciúme se manifesta, inquieta e, muitas vezes, escapa a qualquer tentativa de controle.

O livro traz introdução das organizadoras, prefácio da escritora Paloma Vidal e o posfácio “Ele verde e ela nua”, de Elisa Maia. A edição ganhou ainda um trabalho especialmente criado pelo artista plástico João Villela, autor de um conjunto de 36 gravuras encomendadas pelas organizadoras para ilustrar a obra.

Na Travessa, a lista de convidados dava a medida da diversidade desse universo. Estavam por lá o cineasta Walter Salles, as poetas Alexandra Maia e Luisa Mussnich, o editor Roberto Feith, a advogada e escritora Clarisse Escorel, o professor de escrita criativa Leonardo Villa-Forte, Beth Pessôa, do Instituto Moreira Salles, e os irmãos Mauro e Elisa Ventura, filhos do jornalista e escritor Zuenir Ventura.

Do jornalismo, compareceram Maria Lucia Rangel, Sérgio Augusto, Christina Autran Garcia e Isabel de Luca, além da roteirista e editora Bia Corrêa do Lago. Elisa Maia também foi prestigiar as autoras, assim como João Villela, responsável pelas gravuras da publicação.

A psicanálise, naturalmente, compareceu em peso. Entre os integrantes da Escola Letra Freudiana, à qual pertencem as organizadoras, estavam Arlete Garcia, Letícia Balbi, Mauro Rabacov, Diana Mariscal e Isabela Prado.

O ator Caio Blat representou as artes cênicas, enquanto Beth Jobim, Antônio Manuel e Marisa Abade reforçaram o time das artes plásticas. Entre os 12 entrevistados de Os Ciúmes, o escritor Bernardo Carvalho e a historiadora Ynaê Lopes dos Santos também foram à Travessa conferir o resultado das conversas das quais participaram — e, desta vez, buscar seus próprios autógrafos.

No fim da noite, enquanto a chuva continuava indo e vindo, a livraria permanecia movimentada. E tudo acontecia em Ipanema, território das duas autoras e cenário perfeito para o encontro entre psicanálise, literatura e vida carioca. Maria Helena, que um dia acompanhou de perto esse universo através da coluna de Ibrahim Sued, agora estava do outro lado da história: ao lado de Renata Salgado, autografando um livro sobre um sentimento que, como bem sabem a literatura, a psicanálise e a própria vida, nunca deixou de produzir boas histórias.

Fotos Miguel Sá

Sergio Augusto, Dida Mader e Maria Lucia Rangel

 

Jorge Paulo e Isadora Palhares

 

Mariza Abade, Renata Salgado e Antonio Manuel

 

Maria Helena e Carlos Sobral e Katia Midlin

 

Flavio Alexim e Beth Pessoa

 

Walter Salles e Maria Helena Carneiro da Cunha

 

Mauro Ventura e Lauro Cavalcanti

 

Luiza e Karen Mussnich e Pedro Sauer

 

João Carneiro Villela e Leo Villa-Fortes

 

Maria Helena Carneiro da Cunha e Renata Salgado

 

Alouizio Abranches e Caio Blat

 

Bernardo Carvalho, Maria Helena Carneiro da Cunha e Renata Salgado

 

ciúmes
Antonio Leite e Fernanda Pinto