Daniel Feingold explora os limites da pintura e da fotografia em “Espaços Intermediários”, na Galeria Martha Pagy
Artista carioca apresenta uma seleção de obras que atravessam diferentes momentos de sua trajetória, em uma exposição que investiga a geometria, o gesto e as possibilidades da matéria.
A pintura pode ultrapassar os limites da tela? E a fotografia, até que ponto pode se aproximar da abstração? São algumas das questões que atravessam “Espaços Intermediários”, exposição individual de Daniel Feingold, inaugurada no dia 20 de outubro, na Galeria Martha Pagy, no Flamengo, Rio de Janeiro. A mostra ocupa todo o espaço expositivo e permanece aberta para visitas agendadas até 29 de janeiro de 2027.
Com uma produção marcada pela investigação da forma, da geometria e das relações entre gesto e matéria, Feingold reúne trabalhos de diferentes períodos de sua carreira. São cerca de 20 fotografias, duas pinturas sobre papel, 28 pequenas telas de 27 x 35 centímetros, aproximadamente 40 obras da série Pinturinhas e uma instalação que estabelece um diálogo entre pintura e escultura.
Entre os destaques estão as fotografias da série Homenagem ao Retângulo, realizadas a partir de suas caminhadas pelo Jardin des Plantes, em Paris. Pouco conhecida do grande público, a produção fotográfica do artista revela um olhar atento à arquitetura das formas, aos enquadramentos rigorosos e aos contrastes entre serenidade e intensidade. São imagens nas quais a geometria assume um protagonismo quase pictórico.
A exposição nasceu de um processo de colaboração entre o artista e a galerista Martha Pagy. “Essa exposição foi sendo concebida aos poucos, a quatro mãos, entre mim e a Martha. Como minha arte, fui indo pela minha intuição e na montagem pode mudar algo ainda. É no local que as coisas acontecem”, conta Feingold.
Com texto curatorial de Ligia Canongia, a mostra evidencia a relação do artista com o minimalismo e com a repetição das formas. Para a crítica, Feingold incorpora à pintura um ritmo gestual intenso, por vezes obsessivo, fazendo da repetição um território de experimentação.
Um dos momentos mais expressivos da exposição é a instalação que reúne um grande díptico em preto e branco, de 2013, pertencente à chamada fase negra, e uma mesa-escultura de vidro com três metros de comprimento. Sobre a superfície transparente, o artista espalha pó branco de gesso, criando uma camada opaca que transborda para o chão. O gesto transforma o espaço ao redor em parte da própria obra.
“Essa composição foi gerada por um desejo de devoção espiritual”, explica o artista.
Uma trajetória entre o Rio e Nova York
Nascido no Rio de Janeiro, Daniel Feingold construiu uma carreira de projeção nacional e internacional, tendo como referências importantes artistas como Jackson Pollock e Barnett Newman. Sua pesquisa, no entanto, desenvolveu uma linguagem própria, na qual o rigor geométrico convive com a liberdade do gesto.
No início dos anos 1990, conquistou o primeiro lugar no Salão Carioca de Artes Visuais e no Salão Nacional de Artes Visuais. Em 1991, realizou sua primeira individual institucional na Funarte, pelo Projeto Macunaíma, apresentando pinturas construídas a partir de sucessivas camadas transparentes de tinta a óleo.
Sua produção passou a integrar a coleção de Gilberto Chateaubriand e o artista começou a ser representado pela Galeria Raquel Arnaud, em São Paulo. Em 1993, recebeu uma bolsa do governo brasileiro para cursar mestrado em pintura no Pratt Institute, em Nova York, cidade onde aprofundou suas pesquisas e consolidou uma trajetória marcada pelo trânsito entre o Brasil e os Estados Unidos.
Entre os momentos importantes de sua carreira estão a participação na 5ª Bienal do Mercosul, em 2005, com curadoria de Paulo Sergio Duarte, e a exposição “Acaso Controlado”, apresentada em 2013 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com curadoria de Vanda Klabin. A mostra seguiu, em 2016, para o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
Naquele mesmo ano, Feingold apresentou no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, uma exposição dedicada exclusivamente à fotografia, reunindo três séries produzidas entre 2009 e 2012.
Agora, em “Espaços Intermediários”, o artista volta a aproximar diferentes linguagens, reafirmando uma investigação que atravessa décadas: a busca por novas relações entre espaço, superfície, movimento e percepção.
Fotos Cristina Lacerda









Serviço
Exposição: Daniel Feingold — Espaços Intermediários
Local: Galeria Martha Pagy — Flamengo, Rio de Janeiro
Abertura: 20 de outubro de 2026
Visitação: De 21 de outubro de 2026 a 29 de janeiro de 2027, mediante agendamento
Agendamento pelo WhatsApp: (21) 98141-3234
Texto curatorial: Ligia Canongia