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A PUC-Rio não é palanque eleitoral

Uma decisão que merece aplausos e uma lembrança dos tempos em que a universidade era símbolo de resistência democrática.

A decisão da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro de suspender manifestações político-partidárias em seu campus até o encerramento do período eleitoral de 2026 merece aplausos. Não se trata de silenciar vozes, impedir debates ou restringir a liberdade de pensamento. Trata-se de preservar a universidade como um espaço de conhecimento, convivência e pluralidade.

Quem conhece a história da PUC-Rio sabe que seus corredores, salas de aula e jardins já foram testemunhas de momentos decisivos da vida política brasileira. Durante os anos da ditadura militar, a universidade foi um importante espaço de resistência intelectual, de defesa das liberdades democráticas e de mobilização de estudantes e professores. Na campanha pelas Diretas Já, o espírito democrático encontrou ali uma de suas muitas expressões.

Naqueles tempos, a defesa da democracia representava uma causa capaz de reunir diferentes gerações e sensibilidades políticas. A universidade não era apenas um lugar de formação acadêmica. Era também um território de consciência crítica e participação na vida nacional.

É justamente por respeito a essa história que a decisão atual merece ser compreendida.

Uma coisa é defender a democracia, promover o debate político e garantir que todas as correntes de pensamento possam se expressar. Outra, muito diferente, é transformar uma instituição privada de ensino, com sua identidade, seus princípios e sua missão educacional, em cenário de disputas eleitorais e manifestações de apoio ou oposição a candidatos.

A PUC-Rio não precisa escolher entre direita e esquerda. Sua responsabilidade é muito maior: formar cidadãos capazes de pensar por conta própria, questionar ideias, respeitar divergências e participar da sociedade com independência intelectual.

Ao determinar a suspensão dos atos político-partidários, a universidade afirma uma distinção fundamental: liberdade de pensamento não significa transformar o campus em palanque eleitoral.

O debate de ideias deve continuar vivo, intenso e plural. Aliás, uma universidade que não discute política renuncia a uma parte essencial de sua missão. Mas há uma diferença entre discutir os rumos do país e reproduzir, dentro de uma instituição acadêmica, o ambiente de confronto das campanhas eleitorais.

A memória da PUC-Rio merece respeito. Sua tradição democrática não pertence a um partido, a um candidato ou a uma corrente ideológica. Pertence à história da educação brasileira e às gerações que ajudaram a construí-la.

Que os estudantes discutam política, discordem, questionem e defendam suas convicções. Isso faz parte da vida universitária. Mas que a instituição não seja reduzida a instrumento de propaganda eleitoral.

Aplausos à PUC-Rio. Preservar a universidade como território do pensamento, e não da militância partidária organizada, também é uma forma de defender a democracia.

PUC-Rio
PUC-RJ CAMPUS