Veludo: matéria e desejo
A Anita Schwartz Galeria de Arte inaugurou ontem, 14 de abril, a exposição Veludo, com curadoria de Ulisses Carrilho. Em cartaz até 25 de abril, a mostra reúne artistas de diferentes gerações e toma o tecido como ponto de partida para investigar as relações entre corpo, matéria e identidade.
Ao evocar o veludo — historicamente ligado ao luxo e à intimidade —, a exposição propõe pensar a superfície como espaço de mediação, onde se inscrevem desejo, poder e pertencimento. Em diálogo com o retorno do Rio Fashion Week, o projeto aproxima arte, moda e teatro, tratando o vestir como linguagem e construção social.
O percurso reúne obras que transitam entre costura, vestuário, pintura e objeto, tensionando textura e aparência sem hierarquias. Destaques incluem trabalhos de Isabela Capeto, Nuno Ramos, Marcos Chaves e Abraham Palatnik, além de nomes contemporâneos como Rafa Bqueer. Luiz Eduardo Rayol, além da Associação
de Artesãos de Santana do Araçuaí, do Vale do Jequitinhonha.
A figura de Veludo, personagem de Navalha na Carne, de Plínio Marcos, surge como eixo crítico, conectando corpo, identidade e sobrevivência. A esse campo simbólico soma-se ainda a atmosfera de Veludo Azul, de David Lynch, onde o veludo também aparece como superfície de tensão entre desejo, intimidade e violência.
Entre matéria e gesto, Veludo propõe uma experiência sensorial e política — onde o vestir deixa de ser aparência para se afirmar como linguagem.
A superfície como campo de desejo: Veludo na Anita Schwartz
Fotos Selmy Yassuda






