Alckmin, Walfrido e os bastidores mineiros em Ouro Preto
Antes mesmo de subir ao palco do 15º Conexão Empresarial Anual de Ouro Preto, promovido pelo jornalista Paulo César Oliveira, blog do PCO, para falar sobre economia, indústria e comércio exterior, o vice-presidente Geraldo Alckmin protagonizou uma das conversas mais observadas do evento. Em um encontro reservado com o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, considerado por muitos uma ponte importante com o presidente Lula em Minas Gerais, o tema foi inevitavelmente a sucessão estadual de 2026.
Walfrido compartilhou suas impressões sobre a longa conversa que manteve recentemente com Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB ao governo mineiro, além de relatar os diálogos que vem mantendo com Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça e nome ligado ao PSB, partido de Alckmin. O conteúdo da conversa ficou entre os dois, mas chamou a atenção dos participantes do encontro.
No palco, porém, Alckmin deixou a política de lado. Em tom descontraído, pontuado por histórias e referências às suas origens mineiras, defendeu o fortalecimento da indústria nacional e destacou o potencial do agronegócio, da saúde e da inovação tecnológica. Citou Minas Gerais como peça estratégica para o crescimento do país e lembrou a importância de nomes como Alysson Paulinelli para a transformação do campo brasileiro.
O vice-presidente também destacou o avanço da indústria farmacêutica, mencionando a presença da Novo Nordisk em Montes Claros, e apontou a saúde como um dos setores mais promissores na geração de emprego e renda.
Entre um dado econômico e outro, reforçou a importância da reforma tributária, elogiou a expansão do Pix e voltou a defender a ampliação dos acordos comerciais do Mercosul, especialmente com a União Europeia. Sobre as tensões comerciais com os Estados Unidos, adotou um tom sereno, afirmando não ver razões para um novo endurecimento tarifário contra produtos brasileiros.
Mas, convenhamos, em Ouro Preto, tão comentada quanto a palestra do vice-presidente foi a conversa que a antecedeu. E, em ano pré-eleitoral, às vezes os bastidores falam tão alto quanto os discursos.
