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Mostra apresentará a mais recente produção da artista, com obras inéditas em cerâmica e metal, feitas este ano

Ana Holck - série Grades - 2026 - ©Foto Vicente de Mello
Ana Holck – série Grades – 2026 – ©Foto Vicente de Mello

A artista Ana Holck celebra 25 anos de trajetória com a exposição Imprevistos, que será inaugurada no dia 21 de maio de 2026 na Maneco Müller: Multiplo. A mostra reúne cerca de 16 obras inéditas produzidas este ano, aprofundando sua pesquisa com cerâmica e aço inox.

Reconhecida como um dos nomes mais consistentes de sua geração, Ana apresenta agora trabalhos que introduzem novos elementos em sua produção, como formas inéditas e o uso da cor no barro — algo que surge pela primeira vez em sua trajetória artística. Tons suaves e nuances discretas passam a atuar como marcadores de tempo, ritmo e espaço dentro das esculturas.

As obras pertencem às séries inéditas Desajustados, Entroncados e Grades, todas produzidas em 2026. Trabalhando entre tensão estrutural, matéria e percepção espacial, a artista constrói esculturas que evocam sua formação em arquitetura e urbanismo, aproximando rigor construtivo e experimentação sensível.

O contato direto com a cerâmica também marca uma transformação importante em seu processo criativo. Depois de anos desenvolvendo projetos executados por terceiros, Ana encontrou no trabalho manual uma relação mais orgânica e imprevisível com a própria linguagem artística.

“Trabalho muito com módulo e repetição, que foi uma forma que encontrei para expandir o tamanho da obra na cerâmica, e também são elementos que tem a ver com a arquitetura, com o minimalismo, com a ideia de repetição, serialidade, que são elementos caros ao meu trabalho de antemão”.

Apesar de utilizar um material bruto e maleável, Ana Holck o subverte, transformando a porcelana em tubos de bitolas regulares, pré-estabelecidas, através de uma prensa chamada extrusora.

“O meu trabalho tem muita composição, muita montagem. É um trabalho de cerâmica, mas não da forma convencional, que tem o toque da mão, a expressividade toda. É mais minimalista no sentido que eu uso a extrusora para fazer os tubos que compõem o trabalho”, diz a artista. “Ana Holck possui um amplo conhecimento, seja técnico, conceitual ou histórico, que também é transdisciplinar. Seu trabalho dialoga criticamente com o discurso escultórico contemporâneo, mantendo ao mesmo tempo uma forte qualidade poética e experiencial”, ressalta Daniela Labra.

SÉRIES EM EXPOSIÇÃO

A exposição apresenta conjuntos de obras que se relacionam entre si por meio de formas, ritmo e tensão material. Na nova série Desajustados, Ana Holck cria composições de tubos de cerâmica coloridos interligados por aço inox, construindo esculturas que evocam movimento e certa musicalidade visual. As diferentes tonalidades introduzem um ritmo sutil às peças, reforçando o caráter lúdico das linhas e estruturas.

Os trabalhos dialogam diretamente com a série Entroncados, também desenvolvida em cerâmica e metal. Enquanto nos Desajustados a cerâmica parece se expandir a partir de um eixo metálico, em Entroncados é o aço inox que se projeta desde o núcleo cerâmico. Retas e curvas, rigidez e fluidez, as duas séries se complementam em um jogo de equilíbrio e oposição.

Completam a exposição obras da série “Grades”, feitas em cerâmica, também com cores. Inéditas, essas obras remetem aos primeiros trabalhos da artista na cerâmica, há quase dez anos. “A grade é um elemento constante na minha obra e permeia o meu trabalho, estando presente em muitas obras.

É algo muito ligado a projeto, planejamento, uma estrutura universal. Já tinha usado grades nas pontes que fazia com fitas, nas instalações em vinil e na série ‘Canteiros de obras’. A minha grade sempre tem uma espacialidade”, diz a artista. “Quando comecei na cerâmica era tudo muito novo para mim, então senti necessidade de ir para um assunto familiar, que era a grade”, conta. Essas novas grades possuem uma tridimensionalidade, sendo algumas com sobreposições e outras oblíquas, e também possuem cores, assim como as demais obras da exposição.

SOBRE A ARTISTA

Ana Holck (Rio de Janeiro, 1977) é formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/UFRJ (2000), com Mestrado em História pela PUC-Rio (2003) e Doutorado em Linguagens Visuais pela EBA-UFRJ (2011). Inicia sua trajetória nos anos 2000, com instalações de grande formato, entre as quais, Elevados, no Paço Imperial (2005), Bastidor, no CCBB RJ (2010) e Splash, no SESC Pinheiros (2010).

Entre suas mais recentes mostras individuais estão Ensaios Lineares, na Pinakotheke Cultural, Rio de Janeiro, e Deslocamentos Orbitais, na Zipper Galeria, São Paulo, ambas em 2024, e Entroncados, Enroscados e Estirados, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, em 2023.

Entre as coletivas estão: O Espetáculo da Coerência (2026), na Maneco Muller Multiplo, Rio de Janeiro; Elas (2025)no MAC Niterói, Rio de Janeiro; Entre Elas (2025), na Amelie Maison D’Art, Paris; O Mistério das Coisas Por Baixo das Pedras e dos Seres (2024), no Museu Histórico da Cidade, Rio de Janeiro; Qual o tema (2024), na mul.ti.plo Espaço Arte, Rio de Janeiro, entre outras. Possui obras nos acervos do Itaú Cultural, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM Rio, MAM São Paulo, MAC Niterói, entre outros.

Ana Holck – Desajustados – 2026 – ©Foto Vicente de Mello

 

SOBRE A GALERIA

A Maneco Müller: Multiplo é mais que uma galeria onde as obras ficam expostas para a apreciação do público; pretende-se um ambiente de encontro com a arte contemporânea. Aqui, artistas consagrados e novos talentos oferecem o melhor de sua produção em múltiplos e obras em papel, objetos e pinturas, além de projetos especiais. A ideia é que o espaço crie as condições para que os olhares do público encontrem formas singulares de se relacionar com a arte. 

Além de comercializar obras selecionadas a partir de critérios estéticos de extraordinária densidade artística, a Maneco Müller : Multiplo ainda realiza permanente trabalho de pesquisa no sentido de identificar e divulgar novos trabalhos.

Por seu engajamento na circulação da arte e pela recusa em tomá-la como produto, a galeria vem se consolidando como um espaço que investe no lançamento de edições exclusivas, um lugar que cultiva preciosidades. Renovar a reflexão e a fruição estética, atrair não especialistas, despertar novos colecionadores, enriquecer coleções já estruturadas: com os múltiplos e as obras em outros formatos de grandes artistas brasileiros e estrangeiros, a Maneco Müller : Multiplo espera tão somente desafiar o olhar do público e promover encontros em torno da arte contemporânea.

Serviço: Ana Holck – Imprevistos

Abertura: 21 de maio de 2026, das 18h às 21h

Exposição: até 17 de julho de 2026

Maneco Müller: Múltiplo (MMM Galeria)

Rua Dias Ferreira, 417, sala 206 | Leblon
De segunda a sexta, das 10h às 18h30

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