Na noite de sexta-feira, 8 de maio, o MASP Auditório viveu daqueles raros momentos em que a arte deixa de ocupar o palco e passa a dominar o ambiente inteiro. O espetáculo Deixa Eu Dançar, da Studio3 Cia. de Dança, transformou a obra de Caetano Veloso em matéria física: corpo, respiração, vertigem.

E havia ali uma plateia à altura da ocasião. A suíça Joëlle Bouvier — nome fundamental do teatro europeu e uma artista que entende a dança como linguagem emocional e política — fez questão de assistir à montagem. Também circulavam pelo auditório figuras como Baby do Brasil, José Possi Neto e o casal Luiz Oswaldo Pastore e Carol Overmeer.

O que se viu em cena estava longe de ser uma homenagem protocolar. Com coreografia de Anselmo Zolla, dramaturgia e direção teatral de William Pereira e direção musical do maestro Wagner Polistchuk, o espetáculo prefere o risco à reverência. Há movimento, claro, mas há também tensão, desejo e desordem — elementos inseparáveis da própria Tropicália.

Os arranjos inéditos da compositora Clarice Assad ampliam ainda mais essa sensação de instabilidade criativa. Nada ali soa acomodado. A música escapa do óbvio, tropeça de propósito, se reconstrói. Como o próprio Caetano.
Deixa Eu Dançar não tenta explicar Caetano Veloso — tarefa impossível. A montagem prefere algo mais sofisticado: traduzir sua permanente mutação. E talvez seja justamente isso que permaneça ao final da apresentação — a sensação de que certos artistas não cabem em definições. Apenas em estado de movimento.

Fotos: Leandro Menezes/ LGM Eventos




Caetano em Estado de Movimento: Joëlle Bouvier aplaude espetáculo da Studio3 no MASP
