• Post author:

Cave Galeria leva a força da cor e da matéria à ArtRio 2026

Com curadoria de Lucas Dilacerda, projeto “Ignição” reúne na feira trabalhos de Jane Batista, vencedora do Prêmio PIPA 2026, Bárbara Banida, Gi Monteiro e Telma Gadelha

A Cave Galeria, de Fortaleza, chega à ArtRio 2026 com um projeto que aposta na potência da cor, da matéria e das transformações do corpo e do imaginário. No pavilhão Brasil Contemporâneo, a galeria apresenta “Ignição”, exposição com curadoria de Lucas Dilacerda, reunindo trabalhos de quatro artistas mulheres: Jane Batista, Bárbara Banida, Gi Monteiro e Telma Gadelha.

Dirigida pelo galerista Pedro Diógenes, a Cave participa da feira em um momento de expansão de sua atuação no circuito brasileiro, levando ao Rio de Janeiro um recorte de artistas que desenvolvem pesquisas marcadas pela experimentação, pela força visual e pela relação com diferentes territórios e repertórios culturais.

O próprio título da exposição parte de uma imagem poderosa. Na física, ignição é o instante em que uma energia acumulada ultrapassa determinado limite e desencadeia uma transformação. É justamente essa ideia que atravessa o projeto de Dilacerda: aproximar pesquisas distintas que encontram na cor e na matéria não apenas elementos visuais, mas forças capazes de transformar corpos, paisagens, memórias e imaginários.

Matéria em transformação

Entre os nomes apresentados pela Cave está Jane Batista, vencedora do Prêmio PIPA 2026. A artista parte da fotografia e do autorretrato para estabelecer relações entre corpo, natureza e ancestralidade afro-indígena. Galhos, folhas, sementes, tecidos, carvão e barro entram em suas imagens e transformam o próprio corpo em território de experiências e metamorfoses.

Jane Batista

 

Bárbara Banida, artista que também integra o 39º Panorama da Arte Brasileira do MAM de São Paulo, apresenta esculturas que parecem organismos em processo de formação. Plantas, animais, minerais e seres imaginários se misturam em trabalhos que dialogam com sua pesquisa em torno de “Erotar”, um planeta em regeneração no qual a matéria está permanentemente sujeita à transformação.

A artista participa ainda, na sexta-feira, 18 de setembro, às 17h, da mesa “Diálogos entre Arte Contemporânea e Popular Brasileira – Fazer com as Mãos”, ao lado de Renata Egreja, Lucas Beuque, do Museu do Pontal, e Paula Borghi, curadora do programa Brasil Contemporâneo

Bárbara Banida Foto de Pedro Bessa

 

Bárbara Banida

 

Na pesquisa de Gi Monteiro, artista travesti negra, o escuro não representa ausência, mas possibilidade. É um espaço fértil, onde aquilo que ainda não pode ser visto continua germinando. Formas abstratas, pigmentos naturais e superfícies vibrantes fazem parte de uma investigação em que a cor emerge da escuridão como uma espécie de energia em movimento.

Gi Monteiro
Gi Monteiro

 

Gi Monteiro

 

Telma Gadelha mergulha nas festas populares, no sagrado e no profano para construir pinturas povoadas por santos, máscaras, espíritos, demônios e referências contemporâneas. Em suas telas, diferentes tempos e mundos se encontram. A cor ganha autonomia e avança pela superfície como uma presença quase impossível de conter.

Telma Gadelha

 

Telma Gadelha

Ceará no circuito da arte contemporânea

A participação na ArtRio também reforça uma das características da trajetória da Cave: criar circulação para pesquisas artísticas produzidas fora dos centros tradicionalmente concentrados pelo mercado de arte brasileiro.

Fundada em 2020, a galeria nasceu de maneira itinerante e posteriormente estabeleceu seu espaço físico em Fortaleza, no Ceará. Desde então, mantém entre seus eixos a valorização da produção artística cearense e nordestina, ao mesmo tempo em que amplia sua aproximação com colecionadores, curadores, instituições e novos públicos no Brasil e no exterior.

Para Pedro Diógenes, levar a Cave à ArtRio significa também ampliar esse diálogo e apresentar ao circuito carioca artistas e pesquisas que vêm sendo desenvolvidas a partir de diferentes territórios e experiências.

A curadoria de Lucas Dilacerda acompanha esse movimento. Curador e membro da AICA — International Association of Art Critics, Dilacerda pesquisa, por meio de exposições e textos críticos, poéticas contemporâneas em diálogo com estética, política, ecologia e decolonialidade. Seu trabalho também investiga espectralidades e a vida das materialidades na cena artística contemporânea.

Cave Galeria na ArtRio 2026

Projeto: Ignição
Curadoria: Lucas Dilacerda
Artistas: Bárbara Banida, Jane Batista, Gi Monteiro e Telma Gadelha
Data: 16 a 20 de setembro de 2026
Local: AXIA Marina da Glória — Av. Infante Dom Henrique, s/n, Glória, Rio de Janeiro