Em parceria com o Instituto Cervantes do Rio de Janeiro, serão ministrados workshops gratuitos na sede em Botafogo, nos dias 17 e 18/6

Reconhecida internacionalmente como a principal referência da dança espanhola e do flamenco, a Compañía Antonio Gades, criada pelo coreógrafo que redefiniu o papel do flamenco no século XX, retorna ao Brasil em junho de 2026 trazendo dois pilares de seu repertório histórico: Bodas de Sangre, obra que transformou o flamenco em linguagem dramática de alcance universal, e Suite Flamenca, síntese coreográfica que revela a força e a arquitetura estética da tradição sob a linguagem depurada concebida por Antonio Gades.
Figura central da dança europeia do século passado, Gades elevou o flamenco à dimensão teatral contemporânea, estabelecendo um diálogo sólido entre cultura popular, dramaturgia e construção cênica moderna. No Rio de Janeiro, as apresentações acontecem no Theatro Municipal, nos dias 19, 20 e 21 de junho, com ingressos à venda em feverup.
Numa parceria com o Instituto Cervantes do Rio de Janeiro, serão ministrados workshops gratuitos em sua sede de Botafogo, nos dias 17 e 18 de junho, das 17h30 às 20h30. Os interessados em participar das oficinas deverão encaminhar currículo, foto e link de vídeo para o e-mail workshop.gades@gmail.com.
“Bodas de Sangre” foi criada há 50 anos por Antonio Gades e consagrou o flamenco como linguagem capaz de narrar histórias profundas, estabelecendo um diálogo natural entre dança, teatro e vanguarda. Um dos mais importantes textos da dramaturgia espanhola, pertence à trilogia que se completa com “Yerma” e “A Casa de Bernarda Alba”, do poeta, dramaturgo e escritor Federico Garcia Lorca. A adaptação para o balé foi feita por Alfredo Mañas, que já havia colaborado com Gades em “Don Juan”. Estreou em 74 na Itália e em 81, em colaboração com o consagrado diretor de cinema Carlos Saura, foi transformado em filme de grande sucesso.

“Suite Flamenca” reúne sete performances que destacam a estética da dança flamenca, incluindo solos, duos e danças de grupo – Soleá, Soleá por Bulerías, Farruca, Zapateado, Tanguillo, Tangos de Málaga e Rumba – todas as facetas do gênero, dentro da perspectiva de Antonio Gades. Oportunidade única para ver uma forma de dançar flamenco que em seus dias foi qualificada de vanguardista e atualmente é considerada um clássico.
Apresentada pelo Ministério da Cultura e Bradesco Seguros, com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e patrocínio da Repsol Sinopec Brasil, a turnê é uma realização da DELLARTE, em parceria com o Ministério da Cultura e o Governo do Brasil – Do lado do povo brasileiro.
Em 2 de abril de 2026, “Bodas de Sangre” completou 52 anos da estreia, no Teatro Olímpico de Roma, monumento da dança que, apesar de sua natureza coreográfica, entrou para a história como uma das melhores traduções universais da obra de Lorca.

Referência primordial no mundo da dança, o espetáculo consagra o flamenco como linguagem dramática capaz de contar histórias, tornando-se um difusor da obra de Federico García Lorca no mais alto nível. Uma união que hoje consideramos quase natural e que tem raízes na obra da bailarina e coreógrafa Argentinita, figura central da renovação da dança espanhola no início do século XX, e em sua relação com as vanguardas que floresceram na Espanha naquele período.
Primeira criação de Gades estruturada a partir de um enredo dramático completo — característica que se tornaria uma marca de sua trajetória —, este balé deu origem a outro fato histórico: a primeira das colaborações de Antonio Gades com o cineasta Carlos Saura, cuja parceria contribuiu de maneira decisiva para a universalização desta arte. Sete anos após a estreia da coreografia, ambos realizaram um filme conjunto com o mesmo título, que mostrava um ensaio geral da obra com uma perspectiva inovadora que unia dança e cinema.
A partir das danças com as quais Antonio Gades começou sua carreira solo (1963), foram sendo construídos os números que, cinco anos depois, passariam a se chamar Suite Flamenca. São números de dança flamenca tradicional sob o prisma vanguardista de Gades. Esta Suite foi apresentada por sua companhia, que incluía, entre outros, a grande Cristina Hoyos, parceira artística por vinte anos e autora de algumas das coreografias, como “Soleá”, “Bulerías” e “Tanguillo”.
Suite Flamenca é composta por uma série de peças que oferecem uma representação surpreendente da estética do gênero. Inclui solos, duos e formações de grupo vistas a partir da perspectiva de Antonio Gades. É uma excelente oportunidade para conhecer um estilo que hoje quase não se vê em cena, descrito em sua época como vanguardista e atualmente reconhecido como um clássico.

Compañia Antonio Gades
A Compañia Antonio Gades é provavelmente a maior referência da dança espanhola e do flamenco em toda a história, e a principal depositária do repertório coreográfico de Antonio Gades, figura essencial da criação cênica do século XX.
Fundada sobre uma obra que transformou a linguagem da dança espanhola, a companhia mantém vivo um estilo artístico singular: depurado, sóbrio e profundamente enraizado na cultura popular, mas também conectado às grandes correntes do pensamento cênico contemporâneo. Sem necessidade de palavras, a obra de Gades leva aos palcos do mundo inteiro uma concepção coreográfica única, com títulos históricos como Bodas de Sangre, Fuenteovejuna, Suite Flamenca, Fuego e Carmen, entre outras.
Sob a direção artística de Stella Arauzo, durante muitos anos a primeira bailarina ao lado do mestre Gades, o grupo reúne várias gerações de artistas formados em seu estilo, comprometidos com a transmissão fiel de seu legado. Seu trabalho tem sido decisivo para conservar, com rigor e sensibilidade, os códigos estéticos da escola de Gades, ao mesmo tempo em que soube dialogar com os desafios da cena atual. Sua experiência, profundo conhecimento da obra e capacidade de liderança permitiram manter uma identidade inconfundível, viva e em constante evolução.
Essa continuidade foi possível graças ao trabalho da Fundação Antonio Gades, criada em 2004, para preservar e difundir o legado do mestre. Dirigida por Eugenia Eiriz, viúva de Antonio Gades e presidida por María Esteve, filha do coreógrafo, a Fundação impulsiona o trabalho da companhia e desenvolve iniciativas paralelas como cursos de formação, publicações, exposições, concursos e a formação de um valioso arquivo documental.
Antonio Gades
Antonio Gades é uma referência essencial no panorama da dança e do teatro europeu do século XX. Bailarino, coreógrafo e intelectual da dança, buscou, com sua obra, restituir a essência de cada passo definido pela tradição, pelo folclore e pelo povo. Sua obra pode ser vista como uma tentativa de estudar em profundidade a cultura espanhola, erudita e popular, e de glorificá-la honrando suas raízes e suas fontes. Sempre se manteve consciente, acima de tudo, de que seu trabalho representava a herança cultural de seu povo.
Seu maior feito foi transformar o flamenco em uma arte dramática, teatralizando suas coreografias e recusando o aspecto exibicionista e gratuitamente virtuoso. Em 1981, seu encontro com o cineasta Carlos Saura foi decisivo para a difusão internacional de suas coreografias. Juntos levaram ao cinema Bodas de Sangre (1981), adaptação da coreografia criada em 1974, que alcançou grande repercussão mundial. A parceria seguiu com Carmen (1983) e El amor brujo (1986), formando a chamada trilogia flamenca de Saura, que consolidou o flamenco como linguagem cinematográfica e ampliou decisivamente sua projeção em todo o mundo.
Gades concebeu ainda Fuego, versão coreográfica de El amor brujo, e, posteriormente, Fuenteovejuna (1994), considerado por muitos críticos o auge de sua trajetória artística. Esta seria sua última grande obra. Antonio Gades faleceu em 2004; suas cinzas repousam no Mausoléu dos Heróis do Segundo Frente Oriental, em Cuba.
Ficha Artística
Bodas de Sangre
Balé em seis cenas inspirado na obra Bodas de sangue, de Federico García Lorca
Coreografia e iluminação: Antonio Gades
Adaptação para balé: Alfredo Mañas
Espaço cênico e figurinos: Francisco Nieva
Música: Emilio de Diego
Duração: 35 minutos
Uma produção de: Eugenia Eiriz e María Esteve (Tamirú Producciones Artísticas, S.L.)
Suite flamenca
Coreografia e iluminação: Antonio Gades
Coreografia: (Soleá, Bulerías e Tanguillo): Cristina Hoyos
Música: Solera, Gades y Freire
Duração: 55 minutos, sem intervalo
Uma produção de Eugenia Eiriz e María Esteve (Tamirú Producciones Artísticas, S.L.)
Serviço
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Ingressos:
https://feverup.com/m/545620?srsltid=AfmBOooJxO4bDSI1cSi6Gt2jrEBMeyDdhks6BtlcDJG0OaIhitoYu_Kt “