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Pré-estreia de Raízes do Sagrado Feminino reuniu artistas e especialistas no tema na noite desta segunda-feira, no Estação Net Gávea. A pré-estreia do filme Raízes do Sagrado Feminino, realizada na noite desta segunda-feira, dia 4 de maio, no Rio de Janeiro, provocou uma reflexão  interessante entre o público após a sessão: E se a desigualdade entre homens e mulheres não fosse apenas cultural — mas sagrada?

Fotos Eny Miranda

RAÍZES DO SAGRADO FEMININO
RAÍZES DO SAGRADO FEMININO

 

Raízes do Sagrado Feminino: fé, poder e o lugar da mulher ao longo dos séculos

Documentário de Carla Camurati provoca reflexão ao investigar como tradições religiosas ajudaram a moldar a desigualdade de gênero — e propõe um olhar urgente sobre o presente

No documentário Raízes do Sagrado Feminino, dirigido por Carla Camurati, especialistas e líderes das cinco maiores religiões com tradição escrita — Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo — são convocados a um debate incômodo e necessário.

A partir da leitura e interpretação de textos milenares, o filme investiga como essas escrituras ajudaram a moldar, ao longo dos séculos, uma visão do feminino marcada pela submissão e pelo apagamento. Mais do que uma análise histórica, a obra propõe um deslocamento: questiona se a desigualdade de gênero é apenas cultural — ou se também foi, em alguma medida, sacralizada.

O lançamento ocupou três salas do Estação Net Gávea e reuniu um público atento, daqueles que não estão ali apenas para ver, mas para refletir. Entre os presentes, nomes que atravessam pensamento, arte e espiritualidade — muitos deles vozes do próprio documentário.

Estavam lá a psicanalista Regina Navarro Lins, o médico psiquiatra e monge zen-budista Alcio Braz, o filósofo Renato Nogueira, a teóloga Maria Clara Bingemer, o historiador André Chevitarese e o mentor de meditação e espiritualidade André Elkind.

Na plateia, nomes conhecidos do cenário cultural carioca reforçavam o peso do encontro: as atrizes Bel Kutner e Teresa Seiblitz, o diretor João Jardim e a coreógrafa Dalal Aschar, entre outros convidados que transformaram a noite em um verdadeiro ponto de convergência entre pensamento e sensibilidade.

Mais do que uma estreia, o evento se desenhou como extensão natural do próprio filme: um espaço de escuta, provocação e troca — onde o debate não termina com os créditos, apenas começa.

E é justamente nesse ponto que a obra ultrapassa a tela. “Eu comecei a fazer esse filme em 2017 e, no primeiro dia em que assisti ele pronto, recebi uma mensagem do Levante das Mulheres Vivas. Naquele momento, decidi que todo o valor referente à bilheteria das pré-estreias seria destinado a esse movimento para que o ajude a continuar realizando esse trabalho tão importante contra a escalada de feminicídios e pelo fim da violência de gênero”, afirmou Carla Camurati.

O gesto não é apenas simbólico — é coerente. Porque, ao iluminar as raízes históricas da desigualdade, o filme também aponta para o presente urgente, onde reflexão e ação já não podem mais caminhar separadas.

 

DIRETORA CARLA CAMURATI
DIRETORA CARLA CAMURATI

 

Para Renato Nogueira, Raízes do Sagrado Feminino é um filme necessário para homens, mulheres e para todos aqueles que querem um mundo mais plural. “Os homens precisam curar o ressentimento. Precisamos nos abrir ao encanto, ao afeto e ao amor”, afirmou o filósofo.

DIRETORA CARLA CAMURATI E REGINA NAVARRO
DIRETORA CARLA CAMURATI E REGINA NAVARRO

 

“Esse filme dá uma aula e é muito bonito. A fronteira entre o masculino e o feminino está se dissolvendo e o filme nos faz refletir sobre o papel da mulher nessa sociedade tão patriarcal”, disse Regina Navarro.  A convite de Camurati, a psicanalista participará de uma sessão debate após nova exibição do filme no próximo sábado, dia 9/05 às 11h, no Estação Net Rio, em Botafogo.

ALCIO TESSHIN BRAZ ARANTES E ANA CLAUDIA QUINTANA
ALCIO TESSHIN BRAZ ARANTES E ANA CLAUDIA QUINTANA

 

Raízes do Sagrado Feminino entrará em cartaz no Estação Net Gávea.

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