“À beira-mar, somos muitos”, primeira individual da artista Manu Gomez, apresenta um conjunto de 14 pinturas inéditas que integram a série Sonhos dos Invisíveis. As obras mostram pescadores e cardumes em movimento coletivo, aproximando humanos e animais em composições de cores intensas que evocam memória, trabalho e estratégias de sobrevivência, sugerindo também uma reflexão sobre as dinâmicas que organizam a vida, o trabalho e os modos de existir em comunidade.
Tramas que acalmam — e provocam
A artista Patrícia Secco apresenta “Tramas” no Centro Cultural Correios, uma exposição que convida a desacelerar — e, ao mesmo tempo, repensar nossa relação com o mundo.
Com curadoria de Carlos Bertão e expografia de Alê Teixeira, a mostra costura bordados, máscaras, instalações têxteis e cerâmicas em um percurso onde Brasil, mito e sonho se encontram.
Entre flores imaginárias e referências à Atlântida, surge um universo delicado que fala de natureza, memória e consciência — tudo com a força silenciosa do fazer manual.
Mais do que exposição, um pequeno refúgio no meio da cidade

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro inaugura no dia 25 de março de 2026, quarta-feira, às 16h, a exposição “À beira-mar, somos muitos”, primeira individual da artista Manu Gomez. A mostra, que tem curadoria de Jean Carlos Azuos, reúne 13 pinturas inéditas produzidas entre 2025 e 2026 em diversos formatos, incluindo um mosaico de 2,20 x 3,80m, e uma instalação ao centro da galeria, apresentando um recorte da série “Sonhos dos Invisíveis”, na qual a artista investiga relações entre memória, trabalho e vida coletiva.
Manu Gomez parte de memórias e histórias de sua própria família para construir um conjunto de pinturas que refletem sobre o trabalho e a vida de comunidades ligadas ao mar. Inspirada especialmente nas experiências de seu pai com a pesca submarina em Arraial do Cabo, a artista cria imagens em que pescadores, peixes e cardumes aparecem em movimento coletivo, muitas vezes fundidos em uma mesma cena.

Ao aproximar corpos humanos e animais em um mesmo fluxo, a artista propõe uma reflexão sobre como as relações de trabalho e de subsistência se organizam em torno da natureza e da vida em comunidade. “A ideia de quantidade vem junto com uma estratégia biológica: agrupar-se para parecer um animal maior do que se é. Ao unir humanos e peixes, proponho também uma reflexão sobre como o sistema nos reduz a commodities, a números — tanto peixes quanto humanos”, justifica Manu Gomez.

A EXPOSIÇÃO
Na parede do fundo da galeria, a artista apresenta uma instalação composta por 24 telas organizadas em um grande painel de 2,20 x 3,80m, que ela prefere chamar de quebra-cabeça. A obra funciona como uma imagem fragmentada formada por partes que se conectam e outras que permanecem deslocadas. “Aqui, os cardumes percorrem as telas como pensamento coletivo em movimento e, ao se repetirem de obra em obra, ondulam uma continuidade visual que a montagem acompanha, conduzindo o espectador por um fluxo que evoca a circulação da maré”, diz Azuos.
Para Manu, o trabalho se aproxima da ideia de um quebra-cabeça de corpos em trabalho e movimento, no qual diferentes fragmentos se articulam, mas nem sempre se encaixam perfeitamente. A obra também dialoga com aquilo que ela descreve como “a grande mão da economia que orienta nossos caminhos para o trabalho”, refletindo sobre o momento em que a vida produtiva passa a organizar o cotidiano e, muitas vezes, substitui a dimensão da brincadeira e da liberdade.
Outro elemento presente na exposição é um carrinho de transporte, objeto associado ao cotidiano de trabalho de seu pai e de seu avô, que o utilizavam para carregar materiais e deslocar objetos. Ao trazer esse elemento para a mostra, a artista propõe retirar a pintura da parede e colocá-la sobre o carrinho, transformando o objeto em suporte para a obra. A escolha também dialoga com a expressão popular “vender o peixe”, que dá nome à obra, conectando memória familiar, trabalho e a própria ideia de circulação das imagens.
Algumas pinturas ainda incorporam latas em suas composições. Esses elementos surgem a partir de associações ligadas ao consumo cotidiano e aos alimentos processados, frequentemente presentes em contextos de subsistência e trabalho. Ao inserir esses objetos no campo da pintura, a artista aproxima imagens do universo da pesca, do trabalho e do consumo, ampliando o conjunto de referências que atravessam a exposição.
“À beira-mar, somos muitos” afirma uma multiplicidade que se manifesta nos corpos, nas alegorias e na própria organização estética e narrativa da mostra. A presença, até aqui murmurada, é feita de trabalho e desejo, de corpos que atravessam um tempo incontornável enquanto o horizonte se abre em infinitude”, define o curador.
A exposição “À beira-mar, somos muitos” pode ser visitada de 25 de março a 9 de maio de 2026, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, com entrada gratuita.
Fotos Cristina Granato


Abertura: 25 de março 2026 | Das 16h às 20h.
Visitação: 25 de março 2026 a 09 de maio 2026 | terça a sábado, das 12h às 19h
Local: Centro Cultural Correios Rio de Janeiro
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 Centro, Rio de Janeiro – RJ
Entrada Gratuita
Classificação Livre