Poucos objetos contam tão bem a história do Brasil quanto uma simples marmita. Ela já atravessou fábricas, canteiros de obras, escritórios improvisados, ônibus lotados e longas jornadas de trabalho. Carregou o almoço, mas também carregou sonhos, sacrifícios e a esperança de dias melhores.
É justamente esse personagem silencioso da vida brasileira que inspira a coletiva Marmita, inaugurada na Anita Schwartz Galeria de Arte, na Gávea. Sob a curadoria de Ulisses Carrilho, a exposição transforma um utensílio cotidiano em ponto de partida para refletir sobre trabalho, fome, afeto, desejo e desigualdade.
Exposição coletiva investiga temas como trabalho, fome e desejo, a partir de um objeto popular brasileiro, com obras de Anna Bella Geiger, Cildo Meireles, Carlos Vergara, Carlos Zílio, Waltércio Caldas e Lenora de Barros e outros artistas.
Entre a arte e a vida real existe uma distância que, às vezes, cabe dentro de uma marmita. Nela convivem a necessidade e a dignidade, a escassez e a abundância, o que se tem e o que se deseja ter. Talvez por isso o objeto nunca tenha saído de cena. Mudaram os tempos, mudaram os recipientes, mas permanece a mesma pergunta: o que estamos levando para alimentar o corpo e o que estamos levando para alimentar nossos sonhos?
A exposição sugere que as respostas podem estar escondidas justamente nas coisas mais simples.
Fotos Selmy Yassuda







