
Casa Triângulo tem o prazer em apresentar Dois Infinitos, a décima primeira exposição individual de Sandra Cinto na galeria, reunindo um conjunto inédito de trabalhos que aprofundam questões centrais em sua trajetória: deslocamento, horizonte, travessia e a construção poética do espaço. A exposição será acompanhada por textos críticos de Josué Mattos e Priscyla Gomes.
“Ao longo de mais de trinta anos, Sandra Cinto elege o espaço interior de cada ser vivo como residência do que define como Grande Sol e Noites de Esperança, duas forças que atravessam sua construção poética.
No contexto da exposição Dois infinitos, a artista lida com esses paradoxos da experiência sensível na passagem da obscuridade para o calor dourado que acolhe suas constelações, formações rochosas e paisagens oceânicas. Afluentes e correntes se encontram nesse território de transição, como se cada imagem habitasse o limiar entre um campo e outro.
A paisagem interna e sagrada, organizada em oito atos contínuos, transporta o público para um território sensível no qual a luz permite a diversidade cromática, a profundidade e a sobreposição de montanhas e quedas d’água. É nesse campo que a linha surge como gesto emancipador: o mesmo traço que atravessa superfícies e horizontes instaura espaços de passagem entre o visível e o imaginado. A exposição acolhe cada sujeito em um espaço íntimo, fazendo de sua longa trajetória na Casa Triângulo um momento singular, quando o infinitesimal encontra o infinito que assombra por sua força incomensurável e encanta por sua beleza que chama à devoção.” Josué Mattos
“A mostra emerge como um espaço suspenso entre dois infinitos. De um lado, o azul profundo, noturno e recolhido, onde a paisagem se densifica e se volta para dentro, como se tocasse uma zona de silêncio e interioridade. De outro, o dourado luminoso, aberto e expansivo, onde a imagem se projeta, se irradia e se desfaz em horizonte. Entre esses dois polos, a pintura não fixa um lugar; ela vibra, alterna, se desloca. Há nela um ritmo respiratório, um movimento de contração e expansão que sustenta sua própria existência.
Nesse sentido, essas paisagens também configuram uma imagem do tempo, não um tempo linear e progressivo, mas um tempo circular, que retorna e se dobra sobre si. Amanhecer e anoitecer deixam de ser extremos para se tornarem passagens de uma mesma duração contínua. A luz que desponta já carrega a memória da sombra, assim como a noite abriga, em latência, a iminência do dia. A série se constrói, assim, como um ciclo, um movimento incessante entre dois estados do mundo, entre duas intensidades do visível, onde cada imagem parece conter, em si, o começo e o fim.” Priscyla Gomes

Sandra Cinto (1968, Santo André, Brasil), vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Desde o início da década de 1990, tem apresentado seu trabalho em museus e instituições em todo o mundo. Realizou exposições individuais como Preludio para el sol y las estrelas, no Es Baluard Museu D’Art Contemporani de Palma, Mallorca, Espanha (2025); Cosmic Garden na Fondation Hermès Le Forum, Tóquio, Japão e Das Ideias na Cabeça aos Olhos no Céu no Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil (2020);
Landscape of a Lifetime no Dallas Museum of Art, Dallas, EUA (2019-2020); Library of Love no Contemporary Art Center Cincinnati, EUA (2017); USF Contemporary Art Museum, Tampa, Flórida, EUA (2015); En Silencio no Matadero – Centro Atlántico de Creación Contemporánea, Madri, Espanha e La otra orilla, Centro Atlántico de Arte Moderno, Ilhas Canárias, Espanha (2014); Imitação da Água no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2010); A Travessia Difícil aprés Gericault no Museu de Arte Contemporânea Union Fenosa, La Coruña, Espanha (2007); Projeto Parede no Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil e Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil (2003).
Entre os seus inúmeros projetos públicos e obras comissionadas, destacam-se: Prelúdio ao Sonho e Melodia para as Estrelas I e II, Teatro Cultura Artística, São Paulo, Brasil e Night of Hope, AT&T Stadium – Dallas Cowboys Art Collection, Dallas, EUA (2024); Let Freedom Ring, Johns Hopkins Bloomberg Center, Washington, D.C., EUA (2023); The Wishes Boulevard, Bienal da Tailândia, Korat, Tailândia e o Terraço do Hotel Rosewood, São Paulo, Brasil (2021); Water Movement, Banco Itaúsa, São Paulo, Brasil (2020);
Open Seascape, Memorial Sloan Kettering Cancer Center, Nova York, EUA (2019); Sem Título para Murals of La Jolla, EUA e The Invisible Telescope, USF Kate Tiedemann College of Business, Tampa, EUA (2018); Library of Love, Contemporary Art Center Cincinnati, EUA (2017); The Great Sun, P.S. 56, Nova York, EUA (2016); One Day, After the Rain, comissionado pela The Phillips Collection, Washington, D.C., EUA (2012-2013); Encounter of Waters, Seattle Art Museum’s Olympic Park Pavilion, Seattle, EUA (2012-2014); A Casa das Fontes, Casa do Sertanista, São Paulo, Brasil (2013); Quando a Noite Vem ao Meu Quarto, Parque Ecológico Municipal Estoril–Virgilio Simionatto, São Bernardo do Campo, Brasil (2012) e Japonismo, SESC Santo André, Brasil (2011).
Suas obras integram importantes coleções públicas, incluindo: Museum of Modern Art, Nova York, EUA; National Gallery of Art, Washington D.C, EUA; Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, EUA; Boston Institute of Contemporary Art, Boston, EUA; Dallas Museum of Art, Dallas, EUA; Museum of Contemporary Art San Diego, EUA; The Phillips Collection, Washington, D.C, EUA; Centro Atlântico de Arte Moderno, Ilhas Canárias, Espanha; Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, Brasil;
Centro Galego de Arte Contemporánea, Santiago de Compostela, Espanha; Fundación ARCO, Madri, Espanha; Fundación Pedro Barrié de la Maza/Conde de Fenosa, La Coruña, Espanha; Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife, Brasil; Museu de Arte Moderna/Coleção Gilberto Chateaubriand, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo, Brasil e Pinacoteca Municipal de São Paulo, São Paulo, Brasil.
EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL . TEXTOS CRÍTICOS DE JOSUÉ MATTOS E PRISCYLA GOMES
ABERTURA SÁBADO 28.03.2026 DAS 12H ÀS 17H
PERÍODO DA EXPOSIÇÃO 31.03.2026 – 16.05.2026
TERÇA A SEXTA DAS 10H ÀS 19H . SÁBADO DAS 10H ÀS 17H
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