Primeira exposição individual do artista carioca reúne 11 obras e marca uma nova fase de sua pesquisa sobre forma, cor e matéria
A noite de 12 de agosto foi de celebração para Thomaz Velho. A abertura de “Tormenta”, sua primeira exposição individual, levou à Casa Brasil, no Centro do Rio, uma grande quantidade de amigos, artistas, profissionais da cultura e companheiros de diferentes momentos de sua trajetória.
Um público que, mais do que prestigiar uma exposição, parecia celebrar também a história de um artista que há anos vem construindo seu próprio caminho entre a pintura, o desenho, a cenografia e as artes visuais.
A mostra, que abre oficialmente ao público nesta quinta-feira, 13 de agosto, apresenta 11 trabalhos, entre obras inéditas e pinturas realizadas nos últimos anos. Com entrada gratuita, permanece em cartaz até 6 de setembro.
“Tormenta” representa uma mudança importante na produção de Thomaz. Conhecido pela investigação permanente da forma e da cor, o artista agora apresenta uma pintura mais veloz, vibrante e de maior escala. Vermelhos e amarelos aparecem com intensidade, enquanto as telas ganham dimensões que chegam a três metros de altura.
A própria escolha do espaço ajudou a definir essa nova etapa. Thomaz passou a trabalhar em um novo ateliê instalado em uma antiga fábrica de tecidos no Rio Comprido, onde o pé-direito elevado criou uma relação direta com a arquitetura da Casa Brasil. As pinturas, desenhos e trabalhos em acrílico ocupam o espaço como grandes acontecimentos visuais.
A curadora Adriana Nakamuta acompanha essa transformação e chama atenção justamente para a mudança de escala, ritmo e paleta do artista. Para ela, a exposição revela uma transição importante na trajetória de Thomaz, que deixa para trás a delicadeza das pequenas pinturas para experimentar uma produção mais vibrante e monumental.
A história do artista ajuda a entender a liberdade dessa nova fase. Desde adolescente, Thomaz frequentava aulas de modelo-vivo com Orlando Mollica, no Parque Lage. Formou-se em Artes & Design, foi assistente de Carlos Vergara e trabalhou durante oito anos na TV Globo como cenógrafo e diretor de arte. Também fundou a CAPAVÉ e desenvolveu projetos ligados às artes visuais, além de trabalhos realizados na Casa França-Brasil.
Mas é na pintura que encontra hoje seu principal território de investigação.
A noite de abertura teve justamente esse caráter de encontro. Entre as obras, a Casa Brasil ficou tomada por amigos de diferentes gerações, muitos deles ligados à trajetória profissional e afetiva de Thomaz.
A presença desse grupo deu à abertura um clima particularmente carioca: artistas, arquitetos, profissionais da televisão, da cultura e amigos de longa data reunidos para acompanhar um momento importante de sua carreira.
O próprio Thomaz define “Tormenta” como uma espécie de ruptura com a calmaria que marcou parte de sua produção anterior. A palavra, segundo ele, traduz não apenas a intensidade das novas pinturas, mas também o processo de criação que levou às obras.
E talvez seja justamente essa a melhor maneira de entrar na exposição: não procurando uma pintura silenciosa, mas deixando-se atravessar pelo movimento, pela cor e pela matéria.
“Tormenta”
Casa Brasil — Rua Visconde de Itaboraí, 78, Centro, Rio de Janeiro
De 13 de agosto a 6 de setembro
Terça a domingo, das 10h às 17h
Entrada gratuita
Classificação livre
Fotos Cristina Granato















