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A Maneco Müller : Multiplo Galeria, no Leblon, inaugurou em 24 de março, terça-feira, a exposição individual “Tremer, tremer, é sempre assim”, de Gabriela Machado. Com quatro décadas de trajetória, a pintora apresenta uma série inédita de desenhos em tinta acrílica sobre papel, trabalhos que condensam a maturidade de sua pesquisa criativa. São doze obras, numa seleção que reúne o melhor da produção recente da artista carioca, que se destaca pelo uso singular da cor em composições pulsantes, cheias de luz e movimento.

Cabelo, Barrao, Fabio Schwarzwald, Luiz Zerbini - Tremer, tremer, é sempre assim.
Cabelo, Barrao, Fabio Schwarzwald, Luiz Zerbini – Tremer, tremer, é sempre assim.

 

O trabalho de Gabriela Machado vem de um do desejo de transformar em pintura aquilo que a surpreende na paisagem do dia a dia. O texto crítico é de Pedro Duarte e a mostra pode ser visitada até 15 de maio, com entrada franca.

Gabriela Machado pinta como quem escreve um diário, registrando em cor e gesto o que lhe salta aos olhos. Fragmentos da paisagem cotidiana, captados pela percepção aguçada e sensível da artista, ressurgem como campos de cor e gesto.

Os traços são soltos, vigorosos, inesperados. A paleta é cítrica, luminosa, intensa. Sua pintura nasce de um diálogo do corpo com os sentidos, e não de uma obediência à forma. A inspiração pode ser um galho pendurado, o movimento da água do mar – ela também é nadadora e surfista — que, no instante do pintar, se transformam e se reconfiguram através da massa pictórica. “É um fazer que nasce na visão e passa pela epiderme. É um processo corpóreo”, explica ela, que possui obras em coleções prestigiadas, como as de Gilberto Chateaubriand e do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro.

Luiz Camillo Osorio, Barrao_Beatriz Milhazes, Maneco Muller, Luiz Zerbini
Luiz Camillo Osorio, Barrao_Beatriz Milhazes, Maneco Muller, Luiz Zerbini

 

Produzida em 2025, a série reúne dez desenhos no formato de 75 x 55 cm, em composições de tons sóbrios e elegantes. As pinturas em grande escala (200 x 152 cm) contrastam, com uma paleta de cores fortes, ácidas e pulsantes. A escolha das obras de alguma forma sintetiza o processo de trabalho da artista. “Em geral, começo no desenho em papel, em pequeno formato.

Faço e refaço várias vezes a mesma imagem indefinidas vezes. Quando o exercício em formato reduzido se esgota, parto para as grandes dimensões, sobre papel ou tela de linho”, conta a artista. “O trabalho de Gabriela se desenvolve através do processo de rever sua própria pintura, de se debruçar novamente pelo que já fez, livre de certezas, sem medo do que vai aparecer.

Com isso ela é capaz de alcançar lugares únicos, construindo uma obra de muitas surpresas e frescor”, explica Maneco Müller, sócio da galeria. “Acompanhamos a trajetória dela há mais de trinta anos. É uma produção de muita coerência e diversidade, que temos a alegria de apresentar pela segunda vez numa individual”, afirma Stella Ramos, que dirige a galeria ao lado de Maneco.

Luiz Zerbini, Walter Carvalho, Jose Damasceno
Luiz Zerbini, Walter Carvalho, Jose Damasceno

 

GABRIELA MACHADO

Nasceu em Santa Catarina, em 1960. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. É formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Santa Úrsula, 1984. Estudou gravura, pintura, desenho e teoria da arte na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Rio de Janeiro, 1987-1992). Frequentou cursos ministrados por Paulo Venâncio Filho, Paulo Sérgio e Ronaldo Brito. Foi vencedora do Prêmio de Artes Plásticas FUNARTE Marcantonio Vilaça (2009).

Inaugurou o espaço da Caixa Cultural de São Paulo com a exposição Doida Disciplina (2009), com curadoria de Ronaldo Brito após realizar a mesma exposição na Caixa Cultural do Rio de Janeiro e lançar um livro homônimo (Doida Disciplina – Editora Aeroplano, RJ). Em 2008, fez uma individual na Galeria 3 +1 em Lisboa, Portugal, e foi contemplada com o prêmio Marcantonio Vilaça em aquisição coletiva da Fundação Ecco (Brasília). Ainda em 2008 lançou um livro intitulado Gabriela Machado (Editora Dardo, Santiago de Compostela, Espanha).

Expôs no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, com texto de Paulo Venâncio (2002); no Centro Universitário Maria Antônia, com texto de Afonso Luz (São Paulo, 2002); na Neuhoff Gallery de Nova York, com texto de Robert Morgan (2003), no Largo das Artes, juntamente com o escultor José Spaniol (RJ, 2007), na Galeria Virgílio; na H.A.P. Galeria, com texto Ronaldo Brito (RJ, 2005); na H.A.P. Galeria, com texto Paulo Sergio Duarte (RJ, 2002); na Funarte (Projeto Macunaíma, RJ,1992).

 

Stella Ramos, Beatriz Milhazes, Gabriela Machado
Stella Ramos, Beatriz Milhazes, Gabriela Machado

 

Cristina Magalhães Pinto e Lucia Magalhaes Pinto

 

Franklin Pedroso e Gabriela Machado

 

Teve trabalhos representados em importantes feiras internacionais, como Valencia Art (2009), Arte Lisboa (2009, 2008 e 2006) e Pinta Art Fair em Nova York (2008 e 2009). Em 2008 expôs com grande repercussão e reconhecimento na ARCO’08 – Feira de Arte Contemporânea em Madrid (2008), onde ocupou por inteiro o stand da H.A.P. Galeria.

Entre participações em feiras e exposições coletivas em outros anos, incluem-se: ARCO Madrid (2001/1998); SP Arte (SP, 2008/2007/2006/2005); Arquivo Geral (RJ, 2008/2006/2004); Art Chicago (Chicago, 2004); Art Cologne (Alemanha, 2003); San Francisco International Art Exposition (NY, 2002); Desenho Contemporâneo, Centro Cultural São Paulo e Caelum Gallery (NY, 2002); Novas Aquisições Coleção Gilberto Chateaubriand, MAM (RJ, 1998); Paço Imperial (RJ, 1998); Mostra América (1995); 1ª Bienal Nacional da Gravura (SP, 1994); Centro Cultural São Paulo (1993);

X Bienal do Desenho de Curitiba (1991). Sua obra está presente em importantes coleções brasileiras, como as de Gilberto Chateaubriand, José Mindlin, George Kornis, João Carlos Figueredo Ferraz, Charles Cosac, Fundação Castro Maya, Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, Centro Cultural Cândido Mendes e Fundação Catarinense de Cultura (MASC), Fundação ECCO e Museu de Arte da Pampulha. Fora do país, além da exposição lisboeta em 2008, em 2002, a Neuhoff Gallery de Nova York inseriu o trabalho da artista em duas coletivas – uma delas, The Gesture, junto com conceituados pintores americanos como Frank Stella e Franz Kline. Já apresentou seus trabalhos em Bergen, na Noruega, a convite da curadora Mallin Barth.

MANECO MÜLLER : MULTIPLO GALERIA

Inaugurada em 2010, a Maneco Müller : Multiplo tornou-se ao longo do tempo mais do que uma galeria, onde as obras ficam expostas para a apreciação do público. É um ponto de encontro de artistas, estudiosos, colecionadores e apreciadores da arte contemporânea. Movida pelo desejo de oferecer ao público formas diferentes se relacionar com a obra de arte, cada exposição montada é fruto de um trabalho dedicado, cuidadoso e apaixonado, que busca sempre desafiar o olhar do visitante, despertar a reflexão e incentivar a fruição estética.

Ao longo dos anos, a galeria se consolidou como um espaço que investe no lançamento de edições exclusivas e cultiva preciosidades. Aqui, artistas consagrados e novos talentos oferecem o melhor de sua criação. Com múltiplos, obras em papel, objetos e pinturas, além de projetos especiais, de importantes artistas brasileiros e estrangeiros, a proposta é não só enriquecer coleções já estruturadas, como atrair também não especialistas e despertar novos colecionadores.

Entre os momentos mais emblemáticos da galeria estão as exposições de Eduardo Sued (2025), Waltercio Caldas (2012 e 2022), José Rezende (2022), Carlos Vergara (2022), José Antonio Dias (2013), Pedro Cabrita Reis (2014), Cildo Meireles (2019) e Roberto Magalhães (2019). Ajudaram também a construir a história da galeria nomes como Amália Giacomini, Ana Calzavara, Beth Jobim, Celia Euvaldo, José Bechara, Luiz Zerbini, entre outros.

Na trajetória da galeria, se destacam também performances, instalações, mostras e oficinas que se expandiram para outros espaços e manifestações artísticas: Chelpa Ferro (Teatro Tom Jobim, 2012); José Pedro Croft (galeria e terreiro do Paço Imperial, 2015), pintura mural de Célia Euvaldo (Oficina Mul.ti.plo Videiras, 2017), exposição e peça de teatro no centenário de Lygia Clark (Fazenda Cachoeira, 2019, Itaipava), O Real Resiste (intervenção nas ruas do Rio de Janeiro, 2020) etc.

 

SERVIÇO

Exposição de arte contemporânea
Título: Tremer, tremer, é sempre assim
Artista: Gabriela Machado
Local: Maneco Müller : Multiplo Galeria
Data: De 24 de março a 15 de maio de 2026
End.: Rua Dias Ferreira, 417/206 – Leblon – Rio de Janeiro – CEP 22431-050
Visitação: De segunda a sexta-feira, das 10h às 18h30 (sábados, sob agendamento)
End: Rua Dias Ferreira, 417/206 – Leblon – Rio de Janeiro
Tel.: +55 21 2259-1952
Entrada franca
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