Uma mesa que reuniu o Rio — e o mundo
Ontem, 3 de setembro, fui jantar com três pessoas que representam, cada uma à sua maneira, essa mistura deliciosa de elegância, cultura e mundo que faz parte da alma carioca: o diplomata e embaixador Toni de Souza e Silva, sua mulher, a editora Gisela Zingoni, e a PR internacional Anna Maria Thornaghi.
Para esse encontro, nada mais apropriado do que Botafogo. O bairro, que há algum tempo voltou a ser uma das regiões mais pulsantes da cidade, foi nosso endereço. E o EA Gastronomia, com sua atmosfera acolhedora e suas boas histórias, o nosso porto seguro.

Começamos pelo essencial: um vinho tinto do Douro. Depois, deixamos a conversa conduzir a noite.
Vieram os risoles de camarão, as tâmaras com bacon, o queijo Serra da Estrela e outras pequenas provocações gastronômicas. Mas, naquela mesa, a comida era quase uma coadjuvante. O prato principal era a conversa. E que conversa!
Diplomacia, viagens, livros, personagens, restaurantes, cidades, amigos que estavam ali e outros que apareceram nas histórias. O mundo foi passando pela mesa sem precisar de passaporte. Lugares e épocas se misturavam, como acontece quando pessoas interessantes se encontram e têm memória suficiente para não deixar o passado morrer.
O EA também tem sua própria memória.
A casa guarda a tradição do antigo Antiquarius, um daqueles restaurantes que pertencem à história afetiva do Rio. E essa herança não está apenas no cardápio. Está também nas pessoas. Uedson, sócio e gerente, é um desses personagens que conhecem a cozinha por dentro e sabem que restaurante bom não é feito apenas de pratos, mas de gente.

Em determinado momento, chegou à mesa uma enorme concha recheada de siri. Foi aquele silêncio delicioso que só acontece diante de uma coisa realmente boa. Depois vieram os camarões e o polvo, quentes, bem preparados, no ponto. E ficou decidido, sem necessidade de votação: vamos repetir.
O sucesso do EA não acontece apenas nas mesas. Aos fins de semana, o almoço costuma ficar lotado e o delivery já representa cerca de 60% do faturamento da casa. É o Rio contemporâneo encontrando uma cozinha que sabe conversar com sua própria memória.
Mas talvez o mais interessante daquela noite tenha sido perceber como Botafogo combina com encontros assim. O bairro tem movimento, mistura, restaurantes, bares, gente chegando e saindo. Uma energia que não pede licença e que faz qualquer esquina parecer cenário de alguma história que ainda vai acontecer.
E naquela noite aconteceu. Um embaixador, uma editora, uma PR internacional e este cronista diante de uma mesa cheia de sabores e lembranças.
O vinho acabou. A conversa não. E é justamente aí que mora uma das melhores coisas do Rio: a cidade pode até mudar de endereço, de restaurante, de geração e de moda. Mas quando quatro pessoas se encontram para conversar, comer bem e lembrar dos amigos, a velha alma carioca reaparece inteira.
E essa, meus amigos, não há delivery que entregue.
Uma mesa que reuniu o Rio ontem 03/09 — e o mundo no EA Gastronomia
